Você sabe o que vai no seu shampoo?

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É de se questionar que haja tantos produtos químicos — que não consigo compreender do que se tratam — descritos na composição dos meus shampoo, creme, maquiagem, produto de limpeza… Como será que as pessoas faziam antigamente para limpar e embelezar tudo? Lembro de minha avó ter me dito que passava apenas chá de camomila no cabelo quando era mais jovem, aquilo não fazia sentido pra mim, como o cabelo dela ficaria limpo assim? Hoje, mais de 20 anos depois, cá estou eu passando “ervas e patauá” na cabeça, hidratando as pontas dos cabelos com óleo de argan ou óleo de coco. Afinal, que importância encontrei em não utilizar tantos químicos desconhecidos?

Há algum tempo venho comprando shampoos que não contenham parabenos, cujos malefícios são amplamente conhecidos e vários shampoos/condicionadores já têm o aviso “não contém parabenos”, porém ainda há no mercado diversos produtos com estes compostos e partindo daí percebemos que é real: algumas grandes marcas vendem produtos que fazem mal a seus clientes. Não é uma conspiração. Esse é apenas um dos centenas de agentes cancerígenos, alergênicos e disruptores endócrinos que estão nas prateleiras.

O assunto é complicado, são muitas fórmulas e termos técnicos, mas dando um google, principalmente em inglês, é possível encontrar todo um movimento de pessoas preocupadas com o assunto, pesquisando os componentes, os formatos das moléculas (alô química verde), traçando paralelos e publicando estatísticas para demonstrar os malefícios de certos produtos que, apesar de práticos no dia-a-dia, também estão nos adoecendo lentamente. O documentário “The Human Experiment” mostra bem essa questão de uma maneira simples de ser compreendida:

<iframe src=”https://player.vimeo.com/video/31683038" width=”640" height=”360" frameborder=”0" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe>The Human Experiment — Festival Trailer from Don Hardy on Vimeo.

Fui pesquisar os componentes presentes em um shampoo que não uso mais, a capa exibia “Sem parabenos, sem corantes e sem sal”. Vamos considerar que há algum tempo já não comprava produtos com parabenos e que fizessem testes em animais, logo era um produto até “menor pior” dos que encontramos normalmente no mercado…Vamos ver o que encontrei:

aqua, guar hydroxypropyltrimonium chloride, PEG 120 Methyl Glucose Dioleate, cocamide MEA, polyquaternium-7, dimethiconol/TEA dodecylbenzenesulfonate, Glycol Distearate, sodium laureth sulfate, jasminum officinale, olea europaea, rosmarinus officinalis, lauryl glucoside, lactic acid, cocamidopropyl betaine, methylchloroisothiazolinone, butylphenyl methylpropional

(Sabia que a lista de ingredientes começa do que está em maior quantidade em seu produto, para o que está em menor? Essa regra serve para comida também.)

Bom, pesquisei a toxicidade dos compostos tanto para o ser humano, quanto para o meio ambiente. Os em verde são aqueles que não são tóxicos (apesar de alguns poderem causar alergias) e os em vermelho são aqueles cancerígenos e que se bioacumulam ou seja, o sistema de tratamento de água não os elimina, logo eles vão para os rios e oceanos e se acumulam no meio ambiente, sendo ingeridos por animais, absorvidos por plantas e assim por diante. Vou explicar alguns deles, pra você ter uma ideia:

Glycol Distearate: feito a partir de etileno glicol, que é usado para fazer soluções anticongelantes, degelo para carros e aviões, fluidos de freio hidráulico, vernizes, resinas, manchas de madeira, ceras sintéticas e afins… Misturado com gordura animal ou vegetal. (Detalhe que esse shampoo tem um selo atrás confirmando que ele não é testado em animais, mas nada me garante que ele não é feito de animais rs)

PEG 120 Methyl Glucose Dioleate: É considerado seguro, oferecendo perigo moderado à saúde, dependendo das quantidades utilizadas (especificamente qual quantidade?). Se contiver impurezas na fórmula, pode causar câncer de mama, leucemia e câncer cerebral. (inclusive a fórmula dos milhares de litros de shampoo deve ser perfeitamente calculada…) Cremes a base de PEG são eficazes em casos de queimaduras severas, mas em contrapartida este tratamento causa intoxicação nos rins.

Sodium Laureth Sulfate (SLS): É um químico barato encontrado na maioria dos produtos de higiene (detergente, pasta de dentes, shampoo, sabonetes…), ele rompe a tensão superficial e separa moléculas, a fim de permitir uma melhor interação entre o produto e a sujeira. Nenhum estudo até hoje encontrou relações entre este químico e câncer, ele apenas pode causar irritação na pele e é considerado oficialmente um produto seguro. Por isso o coloquei em verde. Porém, estudos apontam a presença deste produto em corrente sanguínea (não é muito dificil, visto que ele esta em tudo o que usamos) podem levar a menopausa precoce, infertilidade masculina, agindo como disruptor hormonal.

(Tem vários sites gringos que explicam didaticamente o que cada um dos produtos faz, achei muitas informações no cosmeticsinfo.org , no truthinaging.com e no ewg.org , dá uma olhada lá também!)

Sabendo disso tudo, me convenço ainda mais de que não é normal usar um produto sem ler seus componentes e se interessar sobre seus efeitos. Porém, infelizmente, é comum. É claro que não estou falando de efeitos como “cabelo liso e sem caspa” que o publicitário prometeu na frente da embalagem, mas sim daqueles que os profissionais envolvidos na formulação química deveriam alertar no verso. A maioria segue alienada e segue também sofrendo de doenças misteriosas que poderiam ser evitadas.

É importante lembrar que as grandes empresas vão visar o lucro sempre, sendo que nossa única forma de nos defendermos é através da pesquisa e da educação. Busque ser uma consumidora consciente! Não é excesso de preocupação ou algum tipo de teoria da conspiração contra a indústria, basta se lembrar do que aconteceu recentemente com a questão das gorduras trans. Eram presentes em praticamente qualquer doce e salgado, depois foram julgadas como sendo nocivas à saúde e foram proibidas. A indústria prontamente substituiu esse composto pelo óleo de palma, que apesar de proveniente do coqueiro, também faz muito mal para a saúde quando usado em excesso.

O que passar no cabelo, então? Uma alternativa ao shampoo seria passar bicarbonato de sódio e ao condicionador, um pouquinho de vinagre. Há também quem não passe NADA no cabelo, essa prática se chama No poo (sem shampoo). Eu estou usando shampoos em barra feitos artesanalmente, à partir de ingredientes naturais, “livres de sulfatos, parabenos, fragrâncias sintéticas e componentes químicos prejudiciais à saúde.”, é o que garante o site da saboaria Sementes de Gaia, onde comprei os meus. Em feirinhas veganas também encontro bastante alternativas, veja aqui minha listinha de produtores artesanais de shampoo e maquiagens, você tem alguma indicação? Me conta nos comentários!