DO RÉ MI FA-MÍLIA

Mateus me recebeu em sua casa em um preguiçoso domingo de outubro. Após uma rápida conversa, o rapaz de 21 anos traz, do segundo piso da casa, uma pesada caixa de onde tira seu violino. Professor em uma escola de música da Capital, Mateus toca violão desde criança. Há três anos na faculdade de música, agora ele se aventura na dificílima arte de dominação do violino. O que diferencia a família de Mateus das outras com filhos adolescentes/jovens/adultos que tem o sonho de ganhar a vida como rockstar, é que praticamente todos os parentes de Mateus são músicos.

Maurício Sena, professor de panificação e pai de Mateus, se formou professor de música no Conservatório Palestrina e foi o primeiro mestre de seus filhos. “Eu aprendi a tocar violão com meu pai, que reunia os amigos em casa ou dentro do movimento tradicionalista para tocar e cantar. Foi uma coisa natural, que eu também passei de uma forma automática para meus filhos”.

Murilo, 12 anos, gosta de tocar acordeom e faz até shows dentro do movimento tradicionalista gaúcho. Ana Paula, a filha mais velha, canta e casou com um professor de música, o Norberto. A casa da família Sena está sempre cheia de amigos e a música tem presença garantida em todas as reuniões.

Com violão, violino e acordeom em mãos, a família Sena interpreta um dos maiores clássicos da música tradicionalista gaúcha: Mercedita. Como neto de luthier, o clima familiar e a música me transportam para minha infância, deitado na sala de meus avós, ouvindo meu avô tocar Mercedita enquanto testa o equipamento que acabou de consertar.

Talvez essa família nunca fique famosa como a Lima ou venda tantas cópias como as duplas sertanejas formadas por irmãos. Mas a família Sena dá um show de união ao mostrar o poder de aproximar gerações que a música possui.

Questionada sobre a experiência de ser a única integrante da família que não toca nenhum instrumento ou canta, a matriarca Valéria responde de prontidão: “Eu acho lindo ver eles tocando e foi uma grata surpresa quando o Mateus começou a tocar, e depois o Murilo. O único problema é manter essa casa em ordem, com tanto instrumento e partições espalhados por aqui!”, diverte-se.

Texto de Vinicius Ferrari

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