Geração #

“A maior lição da vida é a de que, às vezes, até os tolos têm razão.” — Winston Churchill

Conviver diariamente com a nova geração me ensinou muito sobre sabedoria e tolice. Somos naturalmente propensos a valorizar nossas raízes e em alguns casos, desprezamos o novo, o inexperiente e o menor. Fazemos isso constantemente com as crianças por exemplo. Nunca damos real atenção ao que elas tem a dizer, sempre ignoramos preconceituosamente apenas por pensarmos que somos superiores, que sabemos mais.

Dar aula para nova geração me mostrou que quanto mais teimamos na ideia que o antigo é melhor, mais perdemos tempo útil aproveitando as vantagens inevitáveis do novo. Mas a nós que não nascemos nessa época, tudo o que nos resta é abrir a mente para aprender o que eles tem a ensinar, e pode acreditar — tem muita coisa. Mas algumas em especial me motivaram a fazer esse texto.

A geração # é rápida e direta. Se um site leva mais de 15 minutos para carregar podemos ver a inquietação e reclamação pela demora. A geração # não usa de eufemismo pra se expressar. Algo que eu não costumo ser. Usualmente dou voltas e voltas falando até finalmente chegar no meu objetivo. Com eles eu aprendi que, se quero ser ouvida tenho que ser objetiva e clara. Se possível em 140 caracteres.

Eles não são apegados a lembranças. Uma foto no snapchat têm duração máxima de 10 segundos. Eu, da minha parte tenho milhares de fotos salvas no meu celular, fotos que eu tenho dó de excluir. Eu tenho dó até hoje de jogar fora alguns papéis fora, agendas antigas, livros empoeirados. Ver quão desprendidos eles são com coisas do passado me levou a reanalisar tudo o que eu guardo e realmente, eu nunca mais vi aquelas fotos, bilhetes agendas ou livros e é simplesmente inútil guardá-los.

Eles não tem medo. Se alguém pensa que a ameaça de chamar os pais para conversar na escola ainda assusta, está completamente enganado. Nem pais, nem avós, diretores, autoridades ninguém é capaz de pôr medo neles. Isso pode soar mal, mas eu aprendi que isso na verdade é uma evolução no pensamento. Antigamente era fácil convencer alguém de não fazer qualquer coisa por contar aos pais, mas hoje em dia eles precisam de mais que isso pra serem convencidos. Eles podem ser dobrados, mas pra isso precisamos usar argumentos, e eles tem de ser bons argumentos, pra convencê-los a fazer ou não alguma coisa. Fico pensando em quantas vezes eu deixei o medo falar mais alto e fiz ou deixei de fazer coisas sem ter uma razão clara pra isso. Eu sou da geração que se assusta com ameaças e aprendi com a geração dos mais novos que são os argumentos que tem que nos convencer, não o medo.

Eles são autodidatas do mundo. Hoje é fácil aprender a fazer qualquer coisa assistindo vídeos do youtube. É de se impressionar ao ver quanto conhecimento tem um jovem de 13 anos. Conhecimento esse que ele adquiriu sozinho. Não há nada que ele não possa aprender fazer. Se você desafiá-lo, ele aprenderá e fará. Na sala de aula eles sempre já chegam sabendo. Isso, na minha opinião é o maior divisor de águas das outras gerações para esta. Esperávamos a aula, o livro, a matéria, o ano, a idade, os pais, os professores ensinarem. Eles simplesmente vão atrás e aprendem. Eles assimilam conhecimento de todo o lugar, acreditem se quiser eles são uma máquina de pensar e têm hoje, muito mais conhecimento científico que seu pai por exemplo. Eu sou da geração que precisou deles pra me ensinar essas pequenas coisas.

Mas acho que a maior lição foi aprender que mesmo a geração que ouve funk ostentação, fala só em #, usa gírias, fala de meme o tempo todo pode ter razão em algumas coisas. Sábio é quem vê o que é novo e tem uma mente aberta pra aceitar e um senso crítico pra definir o que é bom e ruim. Só não pode manter o “tiozão” e teimar em fazer as coisas do jeito antigo. Cada nova geração aperfeiçoa a antiga.

Houve uma época que as mariposas brancas sumiram na Europa. Existem duas teorias para explicar: Primeiro, com a cidade e a poluição a mariposa perdeu seus lugares claros para se esconder e foi facilmente encontrada por seus predadores, enquanto as mariposas marrons conseguiam se camuflar e não desapareceram, a outra teoria é que dada a necessidade de se proteger dos predadores a mariposa necessitou mudar de cor e se tornar marrom para se esconder. Em ambos os casos, o que permaneceu diferente, sumiu. Ou seja: ou você se adapta ao meio ou é esquecido.

Faz parte do processo mudar. Quando se refere a gerações isso não quer dizer aceitar tudo como certo, mas quer dizer principalmente deixar de criticar o novo. Fico profundamente irritada com o preconceito imposto por pessoas mais velhas à pessoas mais novas. Nem tudo é aproveitável e é claro que a experiência faz muita diferença, mas existe um preconceito fundado apenas em estereótipos que impedem muitos a aprender dos mais novos. Nem tudo é lixo. O ser humano tem na sua essência a necessidade de aprender coisas novas, por que então não aprender coisas novas com gente nova?

Aprender da geração #, dos que consideramos inferiores a nós, ou dos muito diferentes pode não ser fácil, mas foi crucial no caso das mariposas. Aquelas que não viram a diferença e não fizeram alguma coisa, desapareceram. O mundo vem mudando muito rápido e é fácil encontrar um rapaz de 25 anos que já está ultrapassado. Mas só fica pra trás quem não quer ir avante. E você na selva de pedra da vida, que cor de mariposa escolheu ser?

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