Dos meses que ficamos juntos restaram poucas coisas.

Restaram dois poemas, uma foto e um casaco com seu cheiro.

Consigo esconder essas pequenas coisas em qualquer lugar do meu quarto.

Mas e as lembranças? Não quero mais guardá-las em mim. Quero esquecê-las. Quero te exorcizar.

Na foto estamos na praia. Foi quando você me levou pra conhecer os seus pais. Lembra? Eu tava tão nervosa. Tive até pesadelo.

Um dos poemas você escreveu assim que nos conhecemos. Você estava tão apaixonado.

O outro você escreveu porque não queria se levantar pra ir pro trabalho e me deixar na cama. Ele começa assim: “Preciso de forças pra sair da cama, eu disse à ela.” E terminava: “Na escuridão que os dias me trazem, o nome dela é Luísa, como a luz que entra no quarto.” Você estava tão apaixonado.

Pra onde foi essa paixão? Onde se enfiou o amor e o cuidado que você tinha comigo até outro dia? Em que momento você passou a querer me ferir?

Você me feriu.

Você não pegou uma faca e cravou no meu peito.

Mas a dor é tanta que parece que foi exatamente isso que você fez.

E agora, o que eu faço com as lembranças? Em que cantinho escondido dentro de mim eu posso deixá-las?

Enquanto eu tô aqui sofrendo e escrevendo esse texto, você está se divertindo e me esquecendo. Eu sou mesmo uma trouxa.

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