Ainda dói

E já faz tanto tempo. Um tempo que dói por saber que não há mais tempo. Pra nós.

Edgard Abbehusen l Fotocitando

Ainda dói. E o mais complicado, talvez, seja o tempo. Já faz tanto tempo. Você foi e não voltou. Me deixando afogar nesse imenso mar de devaneios confusos. Ainda dói. Dói por saber que você tinha que ir. E eu não caberia no espaço milimetricamente pensando para tua vida.

Eu já não me encontrava mais por ali. E, já faz tanto tempo perdido aqui, que começo a pensar se, talvez, perdido melhor estaria tentando buscar motivos de me fazer notar. Ao teu lado, em teu colo, sob os teus abraços. Ainda dói, profundamente. Pelos espelhos refletindo a tua presença.

De onde te vejo em cada gesto meu. Dói, simplesmente. Por eu não poder sentir raiva ou mágoa. Por eu mesmo ter arrumado as tuas malas. Dói a raiva sentida a cada passo à frente que tem dado. Dói ao ver você seguir com uma beleza ainda mais espetacular e com um sorriso ainda mais fascinante, sem a minha presença. E isso é absolutamente justo. Dói pela justiça em perceber que era pra ser assim. Sem você. É egoísta, eu sei. E isso também dói.

São tantas dores desde que atravessou a porta, sem olhar pra trás. E já faz tanto tempo. Um tempo que dói por saber que não há mais tempo. Pra nós.

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