ideologia nossa de casa dia

Na rotina diária das pessoas, há aspectos da cultura que são tão habituais que não faz-se um questionamento efetivo do porquê as coisas são do jeito que são. Isto proporciona a reprodução e perpetuação de diversos discursos ideológicos velados, como a cultura machista e homofóbica.

A linguagem e as palavras são onde as ideologias se mostram mais claramente. O falar cotidiano revela muitos fatos problemáticos.

Por que a maioria das palavras que expressam um xingamento são flexionadas no gênero feminino? Por que quando se quer xingar alguém, a ofensa é direcionada justamente à figura materna?
o que você fala não são simplesmente palavras, mas ideologias

São esses fatos linguísticos no cotidiano que consolidam a ideologia machista. E é com mecanismo semelhante que também se estabelece a homofobia.

Como na aversão às mulheres — misoginia — , a homofobia também se instala no seio da sociedade por meio dos signos. Assim, expressões como “mulherzinha”, “afeminado”, “sensível” adquirem caráter depreciativo, pois essas qualidades não condizem com as que um homem cis hetéro deve ter. Logo, segunda o viés machista, são características descartáveis, ruins.

homem DEVE SER pegador

Essa análise ideológica do signo linguístico é apenas uma das várias nuances em que esses discursos ideológicos tomam — sim, pois a ideologia machista também está nas vestimentas, classificando pela roupa o caráter de uma mulher; está na música, onde mulheres dignas não podem ouvir funk; ou também, referente a ideologia homofóbica, quando um homem que, apenas pelo fato de fugir do padrão imposto pela sociedade de homem “macho”, é taxado de gay.