3 amigos e 1 um Caminho de Santiago

Francisco Ramires
Sep 9, 2018 · 15 min read
Kilómetro 0 dos Caminhos de Santiago

Os caminhos fazem-se sempre pela sede de descoberta e a necessidade de aventura. Mais que a busca por seringadas de adrenalina é um marco de reflexão, que nos leva aos limites do corpo e da mente, mas que no final pensamos como será a vida sem caminhadas de 30 km a começar às 6h da manhã.

Este é o diário de viagem de 3 amigos Portugueses que preferiram percorrer a costa de Portugal e Espanha a pé, pelos mesmos caminhos antigos que outrora Santiago (possivelmente sem Geox, nem meias de compressão) também percorreu, a estarem numa praia a morenar o rabinho.

É importante dizer que nenhum de nós fez o caminho pelo seu peso religioso. Pelo menos eu não sou devoto a nenhuma religião, mas sou curioso em relação à libertação da mente daquilo que são os barulhos mundanos e a rotina que a sociedade nos tenta impingir. Acredito a 100% que há alturas em que precisamos de realmente dar valor aos pequenos detalhes, sem tecnologia nem filtros de instagram — sentir a vida no seu estado mais simples.

A vida corre e faz-se correndo. Dizem e vão dizendo que temos de ser mais rápidos, eficazes e eficientes. Queremos e vamos querendo mais e mais sem pensar realmente no que temos. Vivemos e vamos vivendo em silos, bolhas, cada um no seu canto, com os seus problemas, com as suas dúvidas.

É importante parar no tempo, e foi isso que nos dispusemos a fazer… parar no tempo, andando com mochilas cheias de meias, não de confusões.

Antes de continuarmos quero que percebas de onde isto vem -> todos os dias dedicávamos 10 minutos (durante o jantar ou almoço do dia seguinte) para escrever num caderninho roto a visão do caminho de cada um, aquilo que nos marcou, as pessoas que conhecemos e as dificuldades que sentimos. Para além do caderno que levávamos sempre connosco, tirávamos pelo menos 1 foto por dia com a minha polaroid para registar os momentos que seriam a melhor representação do nosso dia :D

Polaroids são momentos que ficam para sempre no tempo

A verdade é que cada um tem o seu caminho, e percebemos bem isso após 7 dias e 205 km de escrita.

(A escrita está praticamente inalterada. Reproduzo o ia na alma destruída pelo caminho, de cada um de nós)

Day 1 — Viana do Castelo <> AGuarda (32,4 km)

Pelos passadiços de Vila Praia de Âncora com olhos em Caminha

Ramires

1º dia foi mais puxado do que estava à espera, mas alegrou-me o facto de sermos tantos a fazer isto. Entre os “bons dias” e “bom caminho” que se vão ouvindo, é possível perceber o que leva tanta gente a meter-se nesta aventura.

No início foi-nos dada uma credencial para irmos preenchendo ao longo do caminho, com carimbos dos sítios onde íamos passando, para realmente garantirem que não íamos de Segway até Santiago (tipo os cromos dos jogadores da seleção, mas sem Pauleta no fim). Já íamos em 6 carimbos e seguimos fortes!

Desdes o início que quisemos manter um estilo de vida apertado — como um peregrino à séria. Começamos por uma jantarada de 5 euros em AGuarda, com um prato de bolonhesa mesmo para ajudar os músculos a levantarem-se de novo e nos levarem para o albergue lá no cima de uma colina. Ya… primeiro dia, já pôs o gémeos a chorar bem!

No albergue público (5 eurinhos, com lençóis e beliche sem chiar — um mimo oh filho!) vimos caminhantes de todo o mundo — Canadá, Espanha, Alemanha etc etc, todos com o mesmo sentimento de que fez 30 km e tal km.

E qual é a magia de um albergue em Espanha? Ninguém para nos receber! Seria pela hora? Fds… claro que não. Eram 6h da tarde!

Quando chegamos o albergue tinha sido aberto por uma das peregrinas estilo Indiana Jones e depois chegou a polícia para garantir que o “donativo” era feito e nos registar oficialmente no albergue.

O momento do dia foi mesmo ver um dos peregrinos sem cama a dormir no chão e todos a ajudá-lo com almofadas, cobertores, colchões e tudo o que lhes vinha à mão e parecia minimamente confortável. Começamos a acreditar que ia dormir bem melhor que nós…

Mas é isto mesmo o caminho… um conjunto de passadas sem interesses, ganâncias e individualidades completa de entreajuda, belas paisagens e força mental. Ninguém nos para agora!

Hugo

O início traz sempre motivação, uma vontade enorme de atingir o objectivo final.

Foi um dia que exigiu determinação, mas que acompanhado pelo mar e pelas paragens trouxe grande alegria. Espero ansiosamente pelos próximos dias e pelas próximas etapas.

Que a dureza traga novas ideias, novos pensamentos e um desligar do mundo real.

Pedro

Super motivado com o início desta aventura e ao mesmo tempo, pouco ciente do quão difícil haverá de ser. No final do dia nunca tinha andado tanto (a última foram uns 6km seguidos, por isso entende-se a diferença) num dia inteiro. Foram umas 9 horas de caminhada.

Nem quero pensar nas etapas que se seguem…

Pessoa importante do dia: Alemão que vinha de Valência, todo ele estilo Alexander Supertramp, com umas sandálias, colar à hippie no pescoço e uma higiene pior que um estábulo com porcos em diarreia. Já tinha feito uns 500 km com uma mochilinha e uma t-shirt preta. Era exatamente este o estereótipo de caminhante que queria ver… sempre fui curioso em perceber o que levava estas pessoas a fugirem tanto da sociedade!

Dia 2 — AGuarda <> Ramalhosa ( 35, km)

Partida às 6h da manhã de AGuarda em busca de uma meia de leite

Todos os dias deitávamos-nos pelas 22h e acordávamos prontos a sair pelas 6h da manhã, porque já sabíamos que caminhar pelo frio nos cansava bem menos.

Paragens obrigatórias: Água, aquele cafe con leche y tostada que se passavam pela nossa prozis, almoço e jantarada já na etapa.

Ramires

Acordamos pelas 6h da manhã e caminhamos pelo mar sem luz nenhuma (apenas os nossos telemóveis com bateria contada para nos salvar), apenas com o barulho das ondas a bater nas rochas. Foi bom ter aqueles largos minutos de silêncio para pensar na vidinha!

Fazer mais de 25km a seguir dos nossos quase 33km, já contados foi dose…

As plantas dos pés são as primeiras a sentir a dureza das estradas onde tivemos de caminhar, muito porque decidimos recarregar energias no único café daquele monte por onde passávamos.

Baiona é mesmo muito giro, com a sua baía e Porto com os veleiros que fazem o hugo salivar, mas não tem Mac. Aguentamo-nos com uma pizza bem cara.

À noite fomos curar as bolhas do Pedro (dizem que cada bolha conta como um pecado a sair do corpo) e acabamos por jantar na pizza hut onde nos serviram o menú gigante por 9.95 euros — deu para os 4 muito bem, e calha sempre bem quando têm refill. O serviço foi super estranho com uns manos que pareciam saídos de uam reunião terrorista, mas de resto foi super chill.

Pedro

Mal saí do albergue e só me apetecia desistir. Contudo, sou resiliente e tenho aprendido cada vez mais a nunca baixar a cabeça a desafios.

Foi muito doloroso caminhar mais 30 km no mesmo dia.

Os pontos altos foram mesmo os 4.90 gastos ao jantar e o monte em Baiona que me matou as pernas.

Hugo

O refrescante mar pela manhã e a escuridão traz consigo uma força revigorante. O caminho foi difícil, muito difícil, mas em todos os momentos as paisagens incríveis ajudaram-me imenso.

Foi bom chegar a Ramalhosa/Baiona, onde encontramos os 1ºs portugueses a massajarem-se à frente de uma igreja.

Mal sabíamos que estes portugueses marcariam grande parte desta viagem :D

Dia 3 — Ramalhosa <>Redondela (40 km)

Ramires

Foi fodido!

Nunca me doeram tanto as pernas, gémeos, os pés, os dedos e outros tantos músculos que não sabia existirem no corpo até então. Nunca pensei odiar tanto os ciclistas ou as velhas que de 1 em 1h nos dizem “só falta 1hora, não se preocupem”. Nunca pensei dar tanto valor a um banco de um carro!

Há muita coisa que aprendemos a valorizar quando caminhamos sem nada.

Ponto alto do meu dia foi mesmo reencontrar o grupo de portugueses trintões a fazer os caminhos connosco com o seu druída de yoga!

Fodido porquê? Ora bem… após andarmos quase 40km percebemos que não havia albergues nenhuns livres. Ligávamos para tudo o que era booking, trip advisor, etc, etc e nada (literalmente nada) tinha 3 caminhas para 3 viajantes destruídos pela estrada.

Acabamos por conhecer o Manolo, que, tal como um Jorge Mendes de albergues tratou de fazer as chamadas todas e arranjar-nos um quarto num albergue perdido no monte de Redondela. Deu-nos boleia e ainda nos mostrou a casa em tijolo que estava a construir com a família. Grande gajo!

Como prenda levou com grande foto da polaroid para emoldurar.

À noite, para finalizar o meu aniversário, decidimos pedir uma vinhaça da casa (daquelas que os velhos choram para ter. aquele vinhão para pintar lábios que nem o melhor batom consegue). Foi o maior arrependimento da minha vida!

Sorrateiramente o vinho foi deitado fora na varanda. A sola a saber a bife foi mastigada como se dentes fossem aço e o oceano atlântico em que a tortilha fora cozinhada, aliviado com uma garrafinha de água fresca (porque com água ninguém consegue falhar!).

De qualquer forma, foi o aniversário que desejei, com os corajosos que decidiram partilhar estes 7 dias de bom humor comigo.

Hugo

Etapa/dia mais difícil da caminhada.

O pés ardiam, o joelho começou a doer e esteve sujeito a um esforço extraordinário. Por muito que custe, a vontade de me descobrir, de perceber os meus limites e de manter a cabeça limpa ajudaram a superar tudo isto!

Manolo, nosso grande salvador, apareceu e salvou o nosso dia :D !

O vinho a saber a vinagre ficará para sempre na minha garganta.

Agora é altura de descansar porque amanhã arrancamos de novo.

Pedro

Se a etapa de ontem foi difícil, a de hoje foi ultra hardcore.

Obrigado aos espanhóis que nos ajudaram quando mais precisávamos. Continuamos firmes, prontos para vencer os homens do yoga!

Manolo o nosso salvador!

Dia 4 — Redondela <> Ponte Vedra (20 km)

Alexander Supertramp e uma matilha de conchas de Santiago

Ramires

Conseguimos acordar às 8h e sair às 9h (hoje começamos bem mais tarde, mas percebemos logo porque não conseguíamos lugar nos albergues. Vimos 100 pessoas à nossa frente num dos troços da caminhada.)

Paramos numa lojinha a vender bananas que nos meteu 2 carimbos na credencial e que nos desembolsou 50 centimos por cada banana. Quem diria que o peregrino não é pobre.

Encontramos de novo os nossos amigos tugas e o druída Yebda à porta do nosso hostel que nos doeu a pagar de tão caro que foi. Ponte Vedra também não tinha hostéis disponíveis, mas valeu a pena o quarto com camas de penas de ganso para descansarmos para o dia que se seguia.

O dia ficou marcado pelo rodízio de pizza no Domino´s, seguido de um ainda melhor rodízio de melão na casa de banho do hostel. Cagamos tudo, mas soube-nos bem :D

Hugo

A estadia e as 2horas de descanso a mais valeram bem a pena. A etapa foi bem mais curta e apesar de algumas sensações no joelho (principalmente nas descidas) foi bem mais acessível e prazeroso.

Após um belo jantar e conversas agradáveis terminamos o dia com um luxuoso banquete de melão no grande albergue, onde decidimos ficar!

Será que amanhã reencontramos o druída e o seu companheiro Sérgio?

Não percam o próximo episódio, porque nós também não!

Pedro

Depois de uma etapa fodida, porque não há mesmo outra palavra para a descrever, eis que aparece uma etapa fácil!

Ponte Vedra presenteou-nos com um muitíssimo merecido holtel XPTO e com a companhia de novos amigos druídas — chamãs. Fui abordado pelo Sérgio, 1 dos 4 homens de yoga que acompanham o grupo de joggers do caminho de Santiago.

O Sérgio deu-me conselhos de druída enquanto remexia no seu filho recém nascido de uma maneira bastante estranha, que ficava no carro de apoio durante a viagem. Também me disse que ouviu a nossa conversa, onde 75–90% do conteúdo era a gozar forte e feio com eles.

O grande dia ficou finalizado com uma rave de melão na casa de banho depois de um rodízio de…… DRUM ROLL…. 2 fucking pizzas. Que dia giro!

Pessoa do dia: Velho que nos traz os cafés que pedimos + 1 croissant aleatório do nada.

“— Minha senhora, porquê o croissant?

— Ai não vos apetece?”

Ya obrigou-nos psicologicamente a comer aquele croissant…

Dia 5 — Ponte Vedra <> Caldas dos Reis (28km)

Rio gelado a substituir as termas de Caldas dos Reis

Ramires

18 km somados a 10, que não custaram assim tanto. Prometeram-nos um caminho curto e fácil nos blogs manhosos da deep web, mas levamos com monte e 10 km inesperados em cima do esperado.

As palmas dos pés ardem de cada vez que chega alcatrão, mas de resto o caminho faz-se caminhando.

Caldas dos Reis serão sempre reconhecidas pelos seus tanques de lavar a roupa, onde hoje os peregrinos (mortos pelas caminhadas) se rejubilam com os pés mergulhados na água de 39º e recuperam as energias para os dias seguintes. Pois…. ASSIM O PENSÁVAMOS!

Chegamos a caldas e o famoso tanque estava vazio, as piscinas a pagar estavam encerradas no dia em que fomos e os ciganos tinham tomado uma fontezinhas pequenas onde pouco dava para molhar o mindinho.

O melhor deste dia foi a velhotinha do pequeno almoço e o velhinho que percebia de vinho como ninguém. Que bom é meter conversa aleatória com velhotes nas tascas, enquanto se manda de penáltie uma grande meia de leite!

O Jantar à beira rio e o jacuzzi improvisado no quarto partilhado com a alemã ESTEREH fizeram o meu dia.

Hugo

A saída de Ponte Vedra é pela ponte romana. Foi óptima devido à luz matinal e mostrava já o que esperava desta etapa — bosque, estradas e muitos carimbos.

A caminho de Caldas dos Reis

Pelo caminho, uma velha simpática e a sua tasca local, deram-nos sorrisos com uma meia de leite e um bocadillo de chorizo caseirinho.

As vinhas e a chegada a caldas dos Reis onde não havia termas! (todas vazias), tornaram uma ida ao rio gelado a fuga mais favorável. A seguir, demos em engenheiros e construímos a nossa própria sauna caseira na banheira do albergue.

Nunca tinha acontecido estar completamente vazio. Indecente!

Terminando a noite mais relaxado num óptimo jantar à beira rio e no quarto onde, após rebentarmos a bolha cancerígena do Pedro, a Esther lá o conseguiu salvar.

Pedro

Achava que era a etapa mais curta.

Achava mesmo que ia chegar a Caldas e ter um tanque de água quente para mergulhar os meus pés em ferida.

Achava mesmo que íamos voltar a ter um quarto de hotel só para nós para foder com um nova rave de melão na banheira.

Fiquei pelo “achava mesmo”.

O que se passou na verdade foi: a etapa foi grandinha, os tanques estavam vazios e o Miguel não deixou usar a piscina do Acuna, tivemos de partilhar o quarto com a enfermeira Ester (ridículo como escrevemos todos de maneiras diferentes), que me salvou o pé, e ainda fizemos uma rave na banheira jacuzzi improvisada.

12 euros é para usar e abusar, não?

Jacuzzi improvisado

Dia 6 — Caldas dos Reis <> Teo (25km)

A partir daqui passa a ser só a minha versão da história porque à noite já estávamos tão estourados que nem paciência tínhamos para escrever uma palavra.

Pelo o amor à escrita, serei breve e entusiasta nas próximas etapas :)

Ramires

Saímos cedinho pela manhã.

Encontramos logo à entrada umas açoreanas disfarçadas de madeirenses que defendia a irmandade de Portugal com as ilhas com unhas e dentes. Logo ali senti a magia que este caminho carrega… um “Bom dia” tem sempre uma história nova à espreita e a beleza está mesmo no facto de todos terem uma história para contar, apenas a uma perguntinha de distância que muitas vezes temos medo de fazer.

Como é possível 2 pessoas num mesmo prédio nunca saberem como correu o dia? Temos medo de falar.

Durante o caminho para padrón — a terra do famoso pimento, não encontramos muita gente. Neste dia faziam parte do cast luxuoso da nossa caminhada:

Germano; Mariachis sempre a morder-nos os calcanhares; Italiana da Joelheira toda fodida; Velha Gritadora de manhã; Portugueses de Santo Tirso BFFs do Pedro; Cabras demoníacas à porradona; Empregada curisosa da Pulpería do Rio a querer ver a polaroids todas; Açoreanas de quem já falei tão alegremente;

Começamos pelo MOTHERFOCKA Germano… o meu avozinho fibrado adoptado.

O Germano era um homem de 73 anos que me alegrou com a sua simplicidade e coragem. Conheceu-nos durante a luta de bodes, onde se apresentou dizendo rapidamente “Mira lo macho… que cabrón no? eheh”, e assim uma paixão nasceu. Eu, Francisco Ramires, espero aos 73 anos carregar a vida no corpo que aquele homem, franzininho de corpo mas atleta de crossfit olímpico no gémeos, tinha.

Estava a caminhar sozinho desde Lisboa, porque ya… tinha a mania de que se devia começar todos os caminhos no início (meninos nós a começar de Viana!). Passou um mau bocado com a falta de marcações que Portugal tende a oferecer aos seus visitantes, tendo passeado de estrada em estrada e quase atropelado pelos gunas de opel corsa sem respeito por um peregrino. Até nos ver tinha já feito 700km e dava-se ao luxo, não de coletar tudo o que era carimbo de café roto como nós, mas sim de apenas pedir o de cada cidade / albergue onde passava, o que tornou logo a credencial dele a mais fixe da escola! Todos os miúdos do caminho queriam ser amigos do Germano!

Todos os que passavam já sabiam a sua história. O velhote de 73 anos que fez os caminhos desde Lisboa e que já tinha feito outros 2 até então. Ai que inveja de viver despreocupado e puramente feliz como aquele homem…

Ficarás para sempre Germano… como o grande homem que me fez perceber o quão pequenos somos e que, realmente não há desafios que não conseguimos superar.

Um abraço meu amigo!

Grande GERMANO Mothefocka!

Após uma paragem rápida para os melhores pimentos padrón do Mundo e um polvinho que mete respeito na pulpería que servia grandes como Adrian Lopez, Iglésias e Vicente Del Bosque, partimos para o nosso destino final — Ferromilla, onde estava o nosso hostel.

Chegamos para ser recebidos pela mulher carrancuda, o andrés dos bigodes e os kronks nos quartos que só dormiam com a Janela aberta! Que frio que passou à noite…

A noite foi bem passada num jantar descontraído com o João e a outra rapariga referida como “a namorada do joão”, onde partilhamos histórias e visões de vida. Pessoas aleatórias unidas apenas por Santiago, sem medos, sem julgamentos, todos pelo mesmo e para o mesmo… pessoas sem receio de ajudar, dizer um “Olá” sem medo ou de perguntar.

Se alguma vez leres isto João: Grande Abraço amigo nortenho! Não percas esse coração selvagem e o teu smart. São eles que te vão manter jovem companheiro :D

Dia 7— Teo <> Santiago (13 km)

Sonhamos com este dia ao tempo….

Parece que passou um mês, meu deus!

Falta pouco meus amigos, faltam muito pouco

Ao longe víamos os cornos da Catedral a espreitar e km a km estávamos mais perto daquilo por que tanto gastamos os pés — o desejo de poder fazer parte dos aventureiros que partiram sem saberem quem são e hoje percebem que os caminhos não são nada mais nada menos, que uma metáfora distorcida para aquilo que é a vida:

> Poucas marcações;

> Decisões rápidas;

> Amizades verdadeiras e piadas sem piada;

> T-shirts baratas e calças que se transformam em calções;

> Curvas e contra-curvas;

E acima de tudo um objectivo que se alcança com muito esforço, cheio de obstáculos que nos fazem pensar em desistir, mas que nos ensinam a nunca parar.

Porque é isso mesmo a vida… fazer parte do caminho, com passadas fortes e arrojadas, pois só assim sabemos que estamos vivos.

Aos meus parvalhões de todas as horas (Hugo e Pedrocas): foi uma honra fazer isto convosco. Voltava a fazer, e nada é mais sincero que isto :)

E que seja isto uma lição para os dias de hoje. Vivemos tempos tão rápidos e tecnológicos que descuramos aquilo que faz a vida o que ela é — o detalhes pequeninhos, os bons dias nas manhãs frias, os piropos às velhotas nas estradas, os uivos para os cães dos vizinhos, a meia de leite quentinha ou a manteiga a derreter na torrada, uma chamada com os amigos, o carro que a mãe nos empresta aos fins de semana, os sorrisos, os nascer do sol/sois/sóis/como quiseres, as estrelas que não se conseguem ver com tanta luz nas cidades, os detalhes das igrejas construídas à centenas de anos, as histórias por detrás do que vemos todos os dias e nem pensamos para olhar…

Hoje sei o que é parar e ouvir. Hoje sei o que é ruído, barulho e informação. Hoje sei o verdadeiro significado dos caminhos.

Todos têm o seu, nunca caminhando sozinhos, mas todos têm o seu caminho.

Qual é a próxima aventura amigos?

Francisco Ramires

Written by

Smiley entrepreneur working for a biography worth reading

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