O rei Dionísio não a deixou dormir

Como estudante de Literatura grega havia passado uma tarde inteira na universidade a discutir com seu professor e colegas sobre a mitologia e os deuses gregos. Um deles, em particular, a fascinava o “Deus grego, Dionísio, identificado a Baco, divindade romana, era filho de Zeus e da princesa tebana Semele, filha de Cadmo. Ele foi o único ser divino gerado por uma mortal. Ela foi seduzida por Zeus, que se disfarçou de homem.”

Já em casa ela estava com todos os motivos para sentir-se feliz naquele dia, pois tudo parecia está abençoado pelos deuses, a exemplo do resultado daquele concurso que havia saído depois de anos de luta por uma vaga. Ela também vinha de uma semana de intensas felicitações de todos que a conheciam… Ao pensar nisso ficou sem acreditar que tantas pessoas de fato poderiam estar desejosos do bem dela. E este sentimento a fez anotar em seu caderninho de assuntos para tratar com a terapeuta.

Porém, isso não tirou a paz e a tranquilidade que sentia. E olhando pro relógio viu que já eram mais de doze horas, estando tarde para almoçar. Mesmo assim, decidiu pelo preparo do próprio almoço, e de modo bem prático pegou uma peça grande de suíno para colocá-la pra cozer — esta tinha camadas grossas de gordura que a fizeram imaginar, uma a uma, derretendo na panela para que depois de prontas virassem uma graxinha suculenta e perfumada em cima da carne pronta para comer.

De salada, preparou aquela feita à base de repolho, pepino e folhas de agrião cozidos, usando como temperos o vinagrete e orégano, deixando tudo perfumado e com gosto agridoce, devido ao cozimento em calda de limão. Isso mesmo limão!

Em outro recipiente colocou fatias de abóbora roxa, cenouras e batatas inglesa e doce, estas que já haviam sido cozidas enquanto preparava a carne. Depois regou tudo com azeite de oliva para depois amassar com um garfo deixando tudo grudado e bem disforme no fundo da travessa de vidro.

Montou o próprio prato, dando um toque de mestre cuca e pensou que tudo estava apetitoso, no entanto, faltava algo. E foi pegar uma bebida que fizesse jus àquele prato dos deuses. Hum! Isso a fez lembrar-se de Dinísio! Mas, estando sem vinhos na despensa pegou a vodka que havia ganhado do amigo Pedro. Nossa! Seria uma perfeita combinação com limão e gelo, naquela mania dela de tomar qualquer bebida quente com pedrinhas de gelo.

E deu a primeira garfada, comendo bem devagar apesar da fome que sentia. O relógio já marcava quinze horas. Continuou saboreando cada fatia de carne suculenta, acrescentando colheradas da pasta deita com a abóbora e as batatas misturadas ao repolho cozido. Mastigou e bebeu prazerosamente, sentindo cada sabor do alimento, parecendo que o álcool da bebida depurava o gosto do alimento dentro da boca dela.

Aquele ritual estava afrodisíaco já que gotas de suor desciam escorregadiças pela testa, fazendo-a sentir seu corpo liberando suores por todos os poros e, em poucos instantes, tinha ficado com os braços e os dorsos das costas e das mãos todos molhados. Putz, o alimento e a bebida quentes estavam despertando nela um sentimento de prazer como se toda a energia deles estivesse sendo desintegrada dentro dela. Porém, uma sensação de nostalgia começava a invadir a sozinha já que ela estava comendo sozinha e tinha feito comida pra mais de um.

Apesar desta lembrança tentar fazê-la perder o apetite, apenas foi apressando as mastigadas e os goles que a fizeram terminar mais rapidamente do que pretendia. Ao concluir largou a garrafa e as louças dentro da pia, indo deitar-se curtindo aquela preguicinha gostosa que invadia o corpo dela, este já saciado pela comida, mas também, enebriado por tanta bebida, deixando-o mais quente do que o normal.

Aliás, foi aí que percebeu o quanto estava quente lá fora, igual a sol do meio dia. Assim, perturbada mentalmente pelo calor parecia querer uma simples cama para deitar-se. E fez assim.

Chegou no quarto e foi tirando as roupas para aliviar-se do calor, pensando num banho frio e desistindo da ideia para não perder o sono. Tentou dormir, ainda em vão já que aqueles suores voltavam intensos e, desta vez estavam entre as coxas e os seios dela. Ela foi buscar água e gelo na cozinha, constatando o óbvio, havia uma garrafa totalmente vazia o que, talvez, explicasse o que estava sentindo naquele momento. E voltando ao quarto encontrou Dionísio, este que agora havia decidido variar de vinho para vodka.

Ela até pensou em reclamar para Zeus, desistindo imediatamente por não ser uma boa estratégia já que Dionísio costumava obrigar as pessoas a fazerem as vontades dele, sendo inerente ao fato dele ser filho também de uma mortal.

E agora ela estava sob o efeito de um riso insano que a deixava perturbada ao ter sucumbido a uma única garrafa de vodca. Putz, bem feito! Isto é o que dava dela não ser afeita às loucuras da turma de faculdade, sempre fugindo aos inúmeros convites do “Ei, vem com a gente?”.

Droga! Então se não havia outra saída o jeito foi transformar aquele deus em um rei másculo e viril, e estando precisada disso nesse instante de solidão e embriaguez. E viu naquele reizinho mandão o que precisava fazer para satisfazê-lo. E sem resistência desabou e rolou na cama.

Ao tentar levantar-se foi pra debaixo do chuveiro. Lá deixou-se molhar, ensaboando dos pés ao pescoço, roçando provocativamente o sabonete na pele até fazer espuma. Amassou os seios, passando um hidratante de canfora e mentol. Isto causou um ardor tão estimulante que ela o levou com as mãos até por entre as ancas, penetrando nela com os dedos hidratados e ardidos.

E no lugar de silêncio já se ouvia gemidos observados por Dionísio, este agora visível, sendo que ela podia vê-lo majestoso trajando vestes de um deus rei. E sem cerimônias conversou com ele, pedindo que passasse hidratante nas costas dela para receber como resposta a indiferença, tão característica de um nobre que estava ali para satisfazer-se e não o contrário. Ele, por sua vez, assistia ao espetáculo, patrocinado por ele mesmo, vendo-a muitas vezes tentar ficar em pé e depois cair no chão do banheiro.

Mas o fato de ser apenas uma súdita obediente a deixava extremamente aborrecida, e por revanche foi tocá-lo, apesar dele ainda está inerte e, ao mesmo tempo tão ridículo e molhado, dentro do box com ela. E sentiu os músculos dele grudados no tecido real e cada vez mais despudorada foi tocando, agarrando e mordendo as partes daquele que agora era um simples mortal, estando sob a tirania duma princesa má.

E o lambuzou de espuma e hidratante, deixando-o escorregadio. Dionísio parecia não resistir, mas ainda mantinha-se com os braços cruzados sem querer tocá-la. — ‘Droga, quem esse deus pensa que é? Eu aqui inteira grudada nele e nada dele querer meus afagos?’

Foi então que ela conseguiu arrastá-lo para cima do sanitário e, em seguida, sentar-se nas pernas dele, ficando cara a cara com a vossa majestade e, enfim conseguir que abrisse os braços para envolvê-la em torno da cintura. O olhar dele parecia que pedia beijo.

Ela muito obediente foi beijando suavemente até conseguir que os lábios dele ficassem frouxos, depois que a língua ficasse mole até ser chupada pra dentro da boca dela. E o rei começava a render-se amolecido os ombros e a cabeça, estando totalmente vulnerável àquela mulher com cheiro de canfora, metol e vodka.

Deste estado de embriaguez já passando ao de loucura ela sentiu por entre as pernas aquele sexo real, enrijecido e querendo espaço para entrar. Ela obediente abriu-se toda, sentindo uma penetração total, a exemplo de entradas magistrais daquelas com cadência de vai e vem divinas. E estando agarrada aos cabelos dele nada a impedia de subir e descer também, freneticamente, naquele corpo roliço e duro que a varava por dentro, fazendo vir espasmos misturados à dormência de está sendo tão maltrata por um deus que a condenava à morte eterna.

E ao sentir um ardor nas costas ficou assustada ao se ver sozinha na cama, toda molhada e com a cabeça a explodir de tanta dor. Aliás ela apenas disse para si própria: — ‘Essa porra do Dinísio saiu sem se despedir de mim?’.

É, mas isso é coisa típica desses deuses tão mortais que se vão embora antes de atender plenamente às promessas feitas aos súditos, não é mesmo? Basta né, pois agora só restava ela ali ressacada depois de ter sido acordada pelo cedro de um rei mandão.

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