A primeira crise de 2017

Não é a primeira, nem a segunda vez que tenho crise de depressão desde que fui diagnosticada lá em 2012. Todas as vezes foram diferentes, uma mais difícil que a outra, uma contando com uma ajuda diferente da outra.

Não é fácil ser a menina que tem depressão. Na maior parte das vezes tenho vergonha da minha doença, as pessoas não sabem lidar muito bem com ela e por mais compreensivas que sejam (ou aparentam ser) sempre tem uma clima ruim em cima disso.

Esses dias li aqui no Medium a frase que pode ter mudado minha vida: eu não sou a minha doença. Eu não sou as minhas crises de depressão e nem a tristeza profunda que me abraça algumas vezes. Isso me confortou e me trouxe de volta a realidade. Eu não sou a minha doença.

Essa foi a primeira crise de 2017. A última crise forte que eu tive foi em maio de 2016. Ao longo do tempo aprendi a lidar com alguns fatores dessa doença, o que facilita compreender o que sinto. Mas não me cura. Talvez nunca cure. Mas facilita. Por entender que compreendia isso e já tinha passado por algumas crises sã e salva (sem vontade de dar um fim a tudo isso), pensei que tinha controle da situação. Me enganei. Não é que eu não tenha controle sobre mim, não é isso. É só que as minhas crises são diferentes uma das outras.

Cada crise tem seus motivos, tem sua bagagem e o que torna sempre um desafio sair de uma crise. É claro que sei caminhos que podem tornar isso mais fácil, mas eu nunca vou ter total controle de uma crise. E talvez eu precise ter consciência disso. Não, eu preciso ter consciência disso pra entender que em cada momento desses o meu corpo, a minha alma, o meu ser está chamando por alguma coisa em especial.

Eu entendo minhas crises como a falta de algo na minha alma, no meu ser. E no momento que entendo isso, eu percebo que cada crise precisa ser tratada de uma forma, cada crise precisa de uma cura diferente, cada crise precisa de ferramentas diferentes, cada crise é um desafio na minha vida.

É um desafio que eu sempre supero e sempre vou superar. Por algum motivo da vida, do universo, de Deus, da Deusa, eu sou a menina que tem depressão, mas eu SOU forte o suficiente pra sair disso. Sou forte pra procurar o que é necessário pra mim naquele momento, eu sou forte porque QUERO entender o MEU EU, a Fran interna, a minha alma e as minhas necessidades.

Eu não sei porque escrevo tudo isso, talvez esteja tentando externalizar e tornar real minhas decisões comigo mesma. Quero ser cada vez mais minha, quero me entender cada vez mais, quero saber que eu consigo recuperar o controle do que me machuca e tira o sono. Eu quero entender o que o meu corpo diz, o que minha alma diz. Esse texto é pra mim, só pra mim.

Não é fácil, nunca é fácil, mas essa crise me trouxe uma percepção diferente. Ela veio trazendo a vontade de mudança interna, de busca de conhecimento do meu próprio eu, a busca de ferramentas alternativas que podem ajudar a me descobrir por inteira. E eu estou pronta pra encarar (mais) esse desafio.

Eu to limpando minhas lágrimas com o meu coração gritando que essa crise é diferente de todas as outras. Essa crise é amadurecimento. Essa crise é recomeço pra descobrir coisas profundas no meu eu. Ela não foi em vão, nenhuma crise é em vão e eu vou ser forte. Porque eu sou forte e eu sempre vou ser forte.