Bebi saudade a semana inteira

Passei a semana bebendo rum. Não tenho paixão especial por essa bebida, mas o cheiro suave me lembra o teu. Isso foi suficiente para eu me embriagar a semana inteira esperando migalhas do teu afeto.

Eu não te culpo por isso, deixaste bem claro que não poderia se envolver além do que temos hoje. Mas o teu cheiro é tão inebriante que me deixa tonto só de imaginar o teu suor depois que fazemos amor. Sim, amor. A minha vontade de ti não é só pelas tuas curvas. É pelo o teu silêncio ao ouvir os meus lamentos. É pela tua paciência que me dedica quando eu chego desnorteado. É pelo o teu interesse na minha vida decrépita. É por estar sempre aqui quando eu preciso de ti.

E o teu corpo, bem, o que posso fazer? Fico animado só de lembrar das tuas pernas longas, com uma cicatriz no joelho que a deixa ainda mais sexy. Os teus pés pequenos e bronzeados, usa um anel do dedo mindinho que me machuca, às vezes. Mas é uma dor gostosa, só acontece quando estamos em certas posições não tão convencionais. Isso me prende ainda mais. Não tem receio em se mostrar inteira. Eu poderia me afogar nos teus cabelos, cabelos castanhos, na altura dos ombros. Tão lisos que eu poderia escorregar neles. A boca fina convidativa, desde que nos conhecemos nunca a vi sem uma pintura de um batom, geralmente eles têm nome de sentimentos. O último que eu tire foi o “liberdade".

Ilusão. Quem tirou a liberdade de quem? Tu tirou o meu sossego, tirou a minha vontade de comer outras mulheres, tirou a minha paz de domingo, tirou os meus sonhos à beira mar. Mergulhou dentro das minhas calças, virou o meu desejo. Usou a tua coragem como anzol, prendeu os meus olhos e os meus batimentos.

O rum acabou. Praguejo todos os xingamentos do meu vocabulário, o resto pode ser ruim, mas esses tipos de palavras eu possuo um extenso dicionário. Além de aliviar a tensão é versátil. Eu xingo quando me estresso, xingo quando estou alegre, xingo quando estou triste, xingo quando sinto dor, xingo para aliviar a dor.

Como eu queria a semana feita de sábados! É o dia em que nos vemos, é o dia em que eu sinto aquele frio na barriga que caracteriza nervosismo, paro de comer na sexta diante da ansiedade de te tocar.

Hoje ainda é quinta, bebo sem pressa, afinal, só tenho grana para te pagar por uma noite.

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