O vazio de Ísis

Ísis olhava as estrelas, a noite estava quente, como na maior parte do ano. Mas esta noite ela não olhava apenas, orava para que as estrelas levassem embora aquela dor dilacerante que a consumia. Ísis estava acostumada com a dor, mas aquela era diferente, não tinha um rosto. Era a dor de viver.

Quem a via na rua enxergava uma brisa. Mas Ísis era uma tempestade e estava lutando para não soltar a árvore que a segurava, lutava para não se deixar seduzir pelo furacão que passa diante dela.

Eu estou sozinho, não sei se consigo encarar a noite

Só Ísis sabe os sentimentos que navegam por dentro dela, só Ísis pode definir como ela está hoje, só Ísis tem a autoridade para dizer o que sente. As pessoas não podem ajudá-la porque elas não são Ísis. As pessoas enxergam aparências, as pessoas enxergam palavras que dizemos para que nos deixem em paz, as pessoas enxergam aquilo que as convém. Grande parte das pessoas não estão interessadas em como Ísis se sente, estão interessadas em como aquilo pode render uma tarde de fofoca ou um breve comentário sobre como ela tem sorte e não tem motivos para se queixar da vida. As pessoas estão interessadas em mostrar o quanto a vida delas é mais triste do que a de Ísis.

Só a gente sabe o que sente
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