Afogando.

(Foto do Libertine.Nu, um ensaio que muito me agrada por uma série de razões)

Senhoras, senhores e senhorxs esse é provavelmente meu primeiro texto por aqui e gostaria primeiramente de contar-lhes uma história. Não posso chamar de pessoal porque eu não acho que é tão singular assim, é bem comum na verdade.

Eu tenho 19 anos beirando aos 20 anos e com mais traumas do que gostaria de ter, com mais problemas do que gostaria de ter e isso se aplica à neuras.Ah, as neuras, elas são incríveis.É nelas que tudo se inicia, é por elas que minhas mudanças de personalidade foram e são um grande marco no meu mundo pessoal, sinto que deveria agradecê-las mas no fundo é por conta das mesmas que sento aqui e escrevo.Ora, eu precisaria escrever se estivesse bem de verdade? Algumas pessoas vão dizer que sim porque é natural delas, eu não, porque não escrevo, eu falo e falo muito.Nos últimos tempos isso tem mudado porque a maioria das coisas sufoca a voz desse jovem que tem muito a dizer mas pouco espaço para faze-lo.Voltando as neuras, parte delas moldou minha personalidade e isso de certa forma me reforçou como pessoa mas me enfraqueceu em vários outros aspectos que me perseguem no decorrer de um dia, é um processo de quebra e reforço que desgasta. Minha cabeça pesa como se fosse um campo de batalha, e eu não sei como dar um fim nisso…bem, sei mas o que dificulta é a jornada e não o resultado e disso eu também sei.

Minha mente é uma imensa bagunça, é como um quarto bagunçado que eu tenho noção de onde tudo está e anseio perder essa noção caso o ajeite.

Minha mente problemática e possivelmente o resultado do ambiente não saudável que vivo, tenho ciência disso mas também sei que muitas vezes precisamos conviver e nos adaptar a certos venenos que a vida nos impõe, senão seria fácil demais.Falando em facilidades, eu não gosto delas e eu tenho que admitir gostar mesmo do difícil e isso é quase uma doença porque algumas muitas vezes as coisas são realmente fáceis e o máximo que você pode fazer é abraça-las, até porque não há mais nada para se fazer.Nessa etapa gostaria de dar um conselho: Algumas coisas são fáceis, tudo bem se elas vierem, abrace-as porque a vida já é muito difícil para se desperdiçar tais chances.

Você já parou e pensou nas coisas que fez, nas coisas que está fazendo e nas coisas que quer fazer? Com certeza já, mas também já pensou em como isso pode sumir num estalar de dedos? Se você for catastrofista assim como este que vos escreve, tenho certeza que sim também. Esse dilema de desperdício de tempo seja com qualquer coisa também é algo que me assola todo santo dia porém no final desse mesmo santo dia eu sento e penso que se não estiver desperdiçando minha vida com algo, do que ela vai servir realmente? Não aconselho pensarem assim, não é lá muito saudável. A verdade é que minha cabeça vive essa montanha-russa de “realmente, a vida é uma bosta e não vale o esforço……ah, mas a vida é linda mesmo,né?, preciso dizer o quão é frustrante?

Me agarro na esperança disso tudo ser apenas mais uma fase psicótica de jovem e que mais na frente eu tenha que me preocupar com problemas reais, como me estabilizar e tentar viver bem.Francamente falando não acredito muito nisso porque vejo várias pessoas todos os dias e nelas enxergo problemas impronunciáveis e tristezas imedíveis.Talvez não fique melhor com o tempo, na verdade, talvez só piore.Nessas pessoas eu também vejo uma centelha de esperança esperando para ser alimentada, e me pergunto se tenho essa mesma centelha ou só tenho otimismo.

Sabendo as coisas que sei me sinto vazio, não de forma espiritual mas de objetivos palpáveis e emoções humanas que possam me preencher de forma boa, isso falta.Na minha atual situação me vejo sendo uma pessoa que vive por outras e me pergunto se isso é bom ou ruim, talvez seja bom mas até que ponto? Talvez eu devesse dosar, mas acredite em mim, estraguei massas de bolo o suficiente para saber que nem isso eu sei medir.

Talvez. Talvez.Talvez.

Vou dizer, eu tenho tantas coisas pra fazer e tantas coisas pra mostrar e isso soa meio desumilde mas é real.Lembra aquelas neuras lá em cima? Então, foi por conta delas que descobri isso, que posso fazer mais do que veem e mais do que eu mesmo vejo, mas o que falta então? Tempo? Incentivo? Confiança? A verdade é que ainda estou procurando e tenho que dizer, estou bem perto de saber.

Você deve estar se perguntando o que é esse meu “Afogando”, pois eu vou dizer.Se todas essas palavras fossem água, eu estaria me debatendo no meio delas, porque não sei nadar e não sei se valeria a pena lutar por míseros segundos de oxigênio.Lá no fundo eu sinto, gostaria de respirar mais que uns segundos, gostaria mesmo.Ao final deste eu não sei se me deixar levar por essas águas é um desafio a ser superado ou cômodo por ser fácil.Uma coisa eu tenho certeza, lutar nunca foi agradável mas desistir seria desperdiçar o tempo que gastei e ainda gasto procurando respostas para imergir desse turbilhão de pensamentos que me afogam pouco a pouco.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Francisco Ailton’s story.