Tradição e inovação nos cursos de graduação

Mesmo com tantas opções na hora de escolher, a procura por ambos se mantém equilibrada

Por Andressa Schutz, Katiele Nunes e Laura Maria

A cada dia que passa, a escolha de uma profissão passa a ser mais complexa. A inovação, tanto dentro dos cursos clássicos, quanto no mercado emergente, influencia a temida decisão de uma carreira. Cursos tradicionais e mais antigos, como medicina e engenharias, dividem espaço com áreas que vêm crescendo cada vez mais, como design ou gastronomia, por exemplo.

No meio de toda essa gama de opções, como está a procura dos cursos? A busca ainda permanece grande por graduações “clássicas” e renomadas ou o amplo leque de opções faz com que a divisão com os novos cursos seja mais equilibrada?

Para o professor do curso de Engenharia de Produção, Diogo Pacheco (36), os jovens têm cada vez mais acesso a informação, o que acaba gerando mais interesse e mais procura pelo curso. Durante a conversa, ele contou que muitos chegam já com perguntas específicas e direcionadas a áreas da engenharia.

Ele conta também que, por dar uma visão mais abrangente, a Engenharia de Produção acaba sendo escolhida por quem está em dúvida. “A escolha entre as engenharias é difícil. Então, se o aluno está em dúvida entre algumas, acaba optando pela de produção. Ela dá uma visão sistêmica de qualquer segmento, seja na construção ou na prestação de serviços, e é uma área quente do mercado”, afirma.

Segundo professores do grupo Cruzeiro do Sul Educacional, um dos maiores em ensino superior no Brasil, os ramos da engenharia mais promissores atualmente são a de produção, a ambiental e a de computação, quebrando a hegemonia da engenharia civil, e mostrando inovação dentro da área.

Já o professor de Física, Rosalvo Miranda (50), diz o contrário. Segundo ele, a busca pelos cursos de engenharias está baixa graças a crise pela qual o país vem passando, e assim que a economia se estabilizar novamente, a demanda de engenheiros aumentará, por conta do aumento nos processos produtivos que atualmente estão em baixa.

No entanto, a engenharia segue sendo um dos 10 cursos mais procurados no Brasil. O Direito aparece em primeiro lugar nesta lista, feita pelo site Quero Bolsa, com base nas pesquisas realizadas no portal. Nutrição, Fisioterapia e Educação Física também figuram entre eles. Isso mostra que as áreas tradicionais ainda são a primeira opção da maior parte dos estudantes, talvez pela maior estabilidade que historicamente elas oferecem.

A era da informação que vivemos também influencia muito na escolha de uma profissão. O jovem já chega na universidade com uma ideia geral do que irá cursar. O professor de gastronomia, Moisés Basso (38), conta que devido ao recente sucesso de programas de culinária na televisão, como MasterChef e Bake Off, seus alunos chegam no curso com certa expectativa. “Existe um mito da profissão por estar em evidência, um glamour. Mas é uma área que exige tanta dedicação quanto qualquer outra”, explica. “O perfil dos alunos é bem variado. Há aqueles que procuram empreender com a gastronomia, tem aqueles que já possuem alguma formação, mas não se acharam profissionalmente, e também o jovem que acabou de sair do ensino médio e se interessa pela culinária”.

O Ministério da Educação (MEC) diz que a procura pela formação em universidades privadas teve sua 1ª baixa em 2016, mas a busca pelos cursos superiores continua. Mas essa gama de cursos atrapalha na hora da escolha?

A psicóloga Hericka Zogbi (39) acredita que não. Ela diz que “o desmembramento de cursos que temos ajuda o jovem na escolha e facilita, pois se ele opta por fazer design, por exemplo, ele tem várias áreas dentro deste curso onde ele pode escolher aquilo que ele tem mais empatia. Trazendo mais conforto na hora de estudar e exercer a profissão”.

Para ajudar na escolha e conhecer cursos tradicionais e novos, é que existem as feiras de profissões, como a realizada na Uniritter, nos dias 6 (campus FAPA) e no dia 12 (campus Zona Sul). A feira, que contou com orientação de professores da instituição e trouxe a possibilidade da participação de público externo, mostrou parte do funcionamento de várias profissões, como o desfile realizado pelo curso de Design de Moda e o Fórum na parte destinada ao Direito.

Eventos como este, que colocam vários cursos lado a lado e proporcionam experiências interativas aos jovens, podem ajudar na difícil decisão de qual caminho seguir, ou até dar mais certeza sobre a escolha já feita. Hericka conta que “aqui na Feira estamos realizando orientação profissional, e inclusive o curso de Psicologia possui um núcleo próprio, destinado apenas a orientação, com atendimentos gratuitos para aqueles que se interessam por conhecer mais sobre a sua escolha profissional”. Além disso, festivais assim também trazem a possibilidade de uma segunda graduação, ou tornam reais sonhos, antes utópicos, para aqueles que desejavam cursar algo e não encontravam a graduação almejada.

Festival: A área destinada às engenharias foi uma das mais procuradas pelos jovens no Festival. (Katiele Nunes)
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