Deus é mão

Nem mesmo o Criador sabe responder o que há com suas criaturas.

Caiu um pouquinho, tudo aqui por dentro. O verde avermelhou, algumas partes em amarelo, que dá azia, Caio dizia. Meu amor notou. “Você está triste, sinto daqui” disse, “Estou magoado, mas estou bem, é diferente, e isso passa” respondi insistindo para que deixasse a feridinha chata quietinha por aqui. As mulheres da minha vida estão sempre a me magoar com seu amor. Ah, se eu fosse marinheiro!

Fora um daqueles finais de semana que Chistopher definiria como “quase de pura alegria”, Don também. Eles que o digam. De nós sabem mais que ninguém. Quem pode com o amor entre um escritor e um pintor? O que Deus une, sua mão pesada desaba sobre a cabeça dos que tencionam desunir. E delas partem o juízo, quebrando em pedaços a razão e a capacidade de se nortear! Deus é mão. Amém!

Até de amar querem nos causar mal estar e culpa. Nem mesmo o Criador sabe responder o que há com suas criaturas. Tão perdidas, tão parvas, tão fraquinhas com suas verdades perfeitamente quadradas. Preferem dilacerar os laços, romper a conexão, matar a união, desfazer as relações que aceitar e abraçar e conviver e viver com.

Vamos pedir piedade, senhor piedade! Que por vezes a pancada me é tão forte que sequer os espectros de Whitman consigo compreender. Não que seja fácil, pois que é denso de fato. Mas me perco em Rachel, Scott, Bernardo, até mesmo em Salinger, vejam o absurdo, vocês! A mão do homem fazendo as vezes da de Deus a me desnortear. Não sou assim, apenas estou, e quando deixar de estar minha mão se fará valer. Minha mão humilde, mão de criatura, não de criador querendo ser. Os matarei com minha gentileza, ignorância é cegueira, e minhas cores são a beleza que sempre mostrarei. Assim eu canto e sempre cantarei.

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