Como Planejar Seu Primeiro Mochilão Sozinho

Viajar sozinho, a maior aventura de todas.

Ayutthaya, um Patrimonio da humanidade reconhecido pela UNESCO.

MMuita gente ainda tem medo de simplesmente botar a mochila nas costas, rumar para o aeroporto ou rodoviária e embarcar para uma viagem. Ficam tentando recrutar amigos para fazer companhia e acabam adiando — e muitas vezes nem realizando — uma viagem muito sonhada.

A solução é simples: Escolha o destino, arrume a mala e SE JOGUE! Com algumas dicas que darei aqui vocês verão que viajar sozinho não é esse bicho de sete cabeças, mas sim um mergulho para novos aprendizados, conhecer muita gente nova e principalmente descobrir mais sobre si.

1) Planeje

O título fala de mochilão, ou seja : Tentaremos conhecer o máximo de lugares possiveis, adquirindo o máximo de experiências e cultura local gastando o menos possível. Para isso um bom planejamento é indispensável.

i) Passaporte e vistos

Antes de comprar aquela passagem baratinha que apareceu no seu e-mail para o país que você sempre quis conhecer verifique quais são as exigências para poder entrar nele, como: Necessidade de passaporte (a maioria dos países do MERCOSUL aceitam a ID brasileira como forma de admissão no país com fim de turismo), visto e quanto tempo leva para o mesmo sair, veja também qual é o tempo máximo de permanência e se é necessário sair do país para renovar. Isso evita a dor de cabeça de ter que dormi algumas noites no banco do aeroporto esperando o visto sair.

ii) Comprando passagens

Todo mundo sabe que comprar passagens aéreas com antecedência pode ser um negocio vantajoso. Fique atento as ofertas das empresas aéreas e faça simulações com os trechos e datas que você pretende viajar. Simule “ida e volta” e trechos isolados. Simule também em que dia da semana e que período do ano fica mais barato viajar. Alguns sites ajudam nisso.

iii) Reservando acomodação

Então antes de sair por ai reservando o primeiro hotel que você ver, só porque achou que o preço é legal, verifique a localização dele e se o deslocamento da sua hospedagem até os lugares que você pretende visitar compensa.

Uma dica interessante é se você viaja em baixa temporada, e o lugar onde você vai disponibiliza de muitas opções de hospedagem, vale muito a pena reservar apenas alguns dias antes. Isso garante maior mobilidade — se você gostou de um lugar, fique mais tempo nele. Você que manda!!! E de quebra ainda evita eventuais multas caso você deseje sair antes do tempo total que você reservou. Eu costumava reservar apenas UM dia e chegando lá eu decidia se iria estender ou não. Mas se você viaja em alta temporada é melhor analisar com um pouco mais de calma.

iv) Dinheiro e seguro viagem

Pesquise e descubra quanto é o custo de vida no lugar onde você irá. Tenha uma ideia real sobre custos como restaurantes, transporte, passeios e acomodação. Isso te dará um norte de quanto gastar por dia e quanto levar para viagem.

Se você irá viajar para diferentes países, com diferentes moedas, é importante ficar atento ao cambio. Uma boa dica é usar travel money: Você consegue sacar o dinheiro em caixas eletrônicos na moeda local e as taxas normalmente são bem menores que as aplicadas pelos cartões de crédito. Conheci algumas pessoas que simplesmente levavam todo o dinheiro da viagem em dólares americanos e iam trocando pela moeda local em casas de cambio a medida que iam precisando. Eu particularmente desaconselho, você sempre perderá dinheiro nas conversões de cambio e ainda corre o risco de ser roubado.

Pra quem viaja para fora sempre é bom ter um seguro viagem. Leia bem a apólice antes de comprar. Algumas vezes o barato pode sair caro: Planos com muitas restrições podem fazer você perder tempo e ainda não ter um reembolso adequado.

v) Fazendo as malas

É de comum acordo que “mais leve se vai mais longe”. O mesmo vale para viagens. Malas gigantes são verdadeiros atrasos: primeiro porque eu tenho certeza que você voltará pra casa com roupa que não usou durante a viagem e segundo que deslocar-se com muito peso te limita na hora de pegar voos de baixo custo, além do próprio desconforto que é carregar bagagem pesada.

Você pode fazer uma viagem de meses com apenas uma mala pequena. Sempre haverá uma lavanderia na outra esquina, e assim ainda sobra espaço para os souveniers da viagem.

2)Deslocando-se

Terminal de trem em Bangkok

Outro ponto importante, se você pretende se deslocar pelo país — ou paises, é entender o fluxo do deslocamento. Ele deve ser o mais fluido possivel para evitar perda de tempo e gastos desnecessários. É bem simples: liste os lugares que você deseja conhecer e de acordo com a proximidade de aeroportos, rodoviárias, portos, estações de metro ou trem, decida como você irá se deslocar pelo país e a ordem de lugares que você irá conhecer, deixando por ultimo aquele que fica próximo do terminal do meio de transporte que te levará de volta para casa.

Evite o zig-zag no mapa.

3) Onde Ficar

Se você está viajando no modo backpacker (Mochileirooo!!!) os hostels ou albergues são boas opções. Para quem está viajando sozinho esta é sem duvida a melhor forma de encontrar companhia para um passeio pelos museus do lugar, para uma cervejinha no final do dia e principalmente para trocar experiências de viagem e de vida.

Muitos hostels possuem áreas de convivência com mesas de sinuca, e outros jogos para facilitar a interação dos hospedes. Alguns possuem atividades e noites temáticas para acelerar ainda mais esse processo. Se o seu problema é medo de não ter quem conversar, escolha uma desculpa melhor.

O ponto chato — como qualquer coisa na vida tem que ter um hahah — é aprender a dividir o quarto com pessoas que você não faz menor ideia de quem sejam. Com hábitos totalmente diferentes do seus. Para os que tem problemas com privacidade talvez ficar em um sigle room (praticamente todos os hostel possuem quartos privativos)seja a melhor opção.

Hospedar-se em um hostel é uma das formas mais simples de fazer novos amigos.

Enquanto viajava eu usava muito o site do Hostel World, que possui versão para smartphone também.

4)Por onde andar e como?

Como eu havia falado antes, escolher bem onde vai ficar já é meio caminho andado na hora de explorar a cidade. Ficar perto de transporte publico e entender como ele funciona é muito importante para evitar sair por ai gastando dinheiro e também não se perder.

Nas recepções dos hostels é comum pegar dicas das atrações do lugar. Na maioria dos casos (se o recepcionista for gente boa) eles te dirão a melhor forma de chegar lá.

Mesmo pegando mapas na recepção faça uma coisa que eu sempre fazia antes de sair para explorar a cidade: Pesquise o lugar que você está indo no Google Maps. Mesmo que você não possua plano de dados, o GPS do seu celular irá te guiar até o seu local, você só não será capaz de fazer novas pesquisas. Então eu usava o WiFi do hostel e de estabelecimentos por onde eu passava para refazer a busca. (Esse é o modo Mochileiro. Você pode comprar um chip local, lógico)

Outra solução simples é baixar o mapa da região e usa-lo offline. O Maps.Me faz isso muito bem. Ele não tem todos os lugares mapeadinhos como o Google Maps, mas já quebra um galhão.

5) … Mas eu estou sozinho, e agora?

Perrengues podem acontecer a qualquer momento, mas quando acontecem numa viagem eles têm um sabor estranho, e quando você está sozinho a sensação de “Ihh, deu merda!” pode ser pior.

Um bom planejamento vai evitar que boa parte das dores de cabeça não aconteçam como : Ficar sem dinheiro no meio da viagem, dar de cara com o hostel fechado ou sem vaga, não ter o visto certo para entrar no país… Mas o inesperado faz parte da vida.

Muitos amigos dizem que não embarcam numa viagem sozinhos porque têm medo de passar mal e não ter ninguém para socorrer ou que é muito perigoso viajar sozinho. Sobre a parte de ficar doente, talvez realmente não tenha ninguém para te levar um chá quente na cama. Por isso é importante ficar atento aos sinais do corpo e não demorar na procura de ajuda. Com relação a segurança, viajando sozinho ou acompanhado você estará sujeito aos mesmos perigos, a diferença é que provavelmente menos gente dará por sua falta caso algo aconteça. Então mantenha se alerta, mas sem deixar de aproveitar os momentos.

6) Você é o dono da viagem

Esse é o tópico mais importante. Você pode ser o melhor planejador do mundo, saber tudo sobre a cultura do lugar onde está indo, dominar três idiomas, ser mestre em finanças, mas se não soltar o freio de mão sua viagem pode se tornar uma frustração só.

Quando eu digo “soltar o freio de mão” me refiro a explorar ao máximo a oportunidade de ser um total anônimo e se permitir conhecer e deixar-se conhecer pelo outros e principalmente por você mesmo.

A parte de ser anônimo é bem interessante. As pessoas estão curiosas por saber suas histórias e até aquelas da época do ensino médio, que não tem a menor graça de tão batidas, serão inéditas. As pessoas também parecerão mais vibrantes, no sentido que trazem a possibilidade do infinito. Ninguém conhece seus defeitos e nem suas qualidades. Você é uma bela folha em branco aos olhos dos outros.

Viajar sozinho é uma viagem para dentro de nós mesmos.

Quando viajamos com algum parceiro ou em grupo estamos o tempo inteiro negociando interesses, que vão desde onde ir, quanto tempo ficar num lugar ou numa festa, e até como rachar aquela porção para dois no restaurante.

Viajando sozinho você é o motorista, e ponto! Se a festa está chata apenas pague sua comanda e vá para o hotel. Se estiver gostando, fique a vontade porque ninguém além de você irá reclamar do sapato machucando e pedir para ir embora cedo. As regras são suas.

Aproveite para refletir. Em muitos momentos você ficará sozinho e é nesse interstício que você deve apreciar sua própria companhia e esculpir sua identidade. Indiferente do que os outros sabem ou não sabem de você, sua essencia será a mesma.

Então espero que vocês aproveitem essas dicas e viajem muito e enriqueçam suas almas.


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