Pele Agridoce

de Patrick Rigon

Fumaça e Sombra (2013) pintura a óleo sobre madeira
Texto curatorial escrito para exposição Pele Agridoce, individual de Patrick Rigon na Galeria Península (Porto Alegre, RS)

A exposição Pele Agridoce apresenta o trabalho inédito do artista gaúcho Patrick Rigon. Natural de Cachoeira do Sul, com graduação em Design Visual pela UFRGS — Universidade Federal do Rio Grande do Sul — e breve formação na Accademia Albertina, em Turim, na Itália, Patrick é praticamente autodidata no desenvolvimento de sua técnica de pintura hiper-realista a óleo sobre madeira. A mostra, primeira individual do artista, faz parte das atividades de comemoração de um ano da Galeria Península.

Pele Agridoce explora o limite de um corpo cuja condição está dividida em dois princípios antagônicos: aparência e realidade. As obras dessa exposição apresentam retratos de personagens que parecem ocultar a própria identidade, os próprios sentimentos ou intenções.

As pinturas — cuja técnica apurada impressiona — provocam a sensação de se estar diante de fotos enormes, muito nítidas, ou de imagens reproduzidas por grandes telas de televisão de alta definição. A riqueza de detalhes convida o espectador a reparar nas sutilezas de cada retrato. A observação detalhada, porém, revela que nem tudo é verdadeiro como aparenta.

A associação da suposta dissimulação dos personagens com a técnica hiper-realista das obras instiga quem aprecia a obra. Este encontra obstáculos que dificultam a compreensão objetiva dos fatos. Diante desse jogo, cabe ao observador o desafio de decifrar esses indivíduos cujas atitudes e sentimentos são enigmáticos.

Francisco Ribeiro

Curador

Maio/ 2015