Algumas Certezas Sobre Um Futuro Incerto na Indústria da Comunicação

Há alguns dias concluí o FRACTAL, um curso sobre os novos protagonistas da comunicação, criado pela Perestroika em parceria com o gente finíssima estrategista digital Gustavo Nogueira.
Tive o privilégio de assistir a aulas fantásticas. Passaram por lá profissionais da indústria como a Débora Emm (Inesplorato e Mapa.cc), Flávia Vendramin (Red Bull), Eduardo Biz (Box1824) e a dupla Jedi master em videos onlines Vitor Knijnik e Nelsinho Botega (Rede Snack).
Foi uma maratona intensa. Duas semanas de aulas, todos os dias (exceto as sextas), com direito a dois sábados de 6 horas nonstop. Ao final, valeu a pena. Tanto que resolvi começar a escrever aqui no Medium pra falar um pouco do que aprendi por lá.
Menos Agências, Mais Consultorias
“É nesse contexto que as consultorias de marketing ganham espaço. Na contramão das agências, elas não trabalham com BV e estão preocupadas em garantir inteligência estratégica ao cliente, além de pensar na estruturação e disseminação de seus negócios no mercado, independente de qual canal é o mais atraente para a empresa. O que importa é a assertividade com o negócio.” — “Por que o futuro da sua marca não reside na atual agência?”.
O modelo de negócios das agências de publicidade tradicionais de comissão sobre a veiculação de mídia sempre foi tendencioso. Ele mina a criatividade em prol de uma fórmula de sucesso. Acontece que, graças à Internet, smartphones e redes sociais, cada vez menos pessoas consomem conteúdo e entretenimento da forma tradicional. Elas estão em movimento, conectadas, usando aplicativos que bloqueiam publicidade ou simplesmente a ignorando.
Pode ser que demore ainda um tempinho, especialmente aqui onde existem mais domicílios com televisão que água encanada e a TV aberta ainda concentra 70% de toda a verba de mídia das agências. Mas, na corrida longa, ganhará a competição as agências que se comportarem mais como consultorias, buscando resolver não só os problemas de comunicação, mas especialmente os desafios de negócios de seus clientes.
A Rede é o Novo Escritório
“Desde que começou a usar o Slack, em abril de 2014, a R/GA diz que diminuiu em 30% o número de reuniões. Também afirma que sua equipe consegue tomar decisões em média 30% a 40% mais rápido quando seus clientes se comunicam através do software.” ‘Efeito Slack’ — agência aumentou produtividade em 30% usando chat com os clientes.
Reza a lenda que a jornada tradicional de 8 horas de trabalho surgiu durante a Revolução Industrial, quando um sujeito chamado Robert Owen começou uma campanha cujo slogan era: “oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso”.
É fato que vivemos uma nova revolução. Desta vez, da Informação. Dificilmente o trabalho acaba quando o escritório fecha. Não é raro acordar pela manhã e ver a caixa cheia de emails. Nos sentimos pressionados a consumir informação em volumes que beiram o absurdo. Essa é apenas uma das razões pelas quais a divisão clássica de horário de trabalho não faz mais sentido.
Aprender a trabalhar em rede, usar e abusar de apps como Slack, Evernote, Google Agenda, Trello etc é o novo normal.
Na era em que o acesso torna-se mais relevante que a posse, tem vantagem quem sabe fazer da rede o seu escritório.
Não Basta Fazer, É Preciso Agir em Toda a Cadeia
“Provavelmente a propaganda acabou e virou algo parecido com um diálogo. Por isso, tantas marcas preferem falar menos delas mesmas e adotar uma causa importante para as pessoas que utilizam seus produtos” — Empreender é o Novo Normal
Há 3 anos, assisti a uma aula do Felipe Anghinoni chamada “Fazer > Dizer”. Nela, o sócio-fundador da Peres explicava como algumas marcas estavam deixando de investir em propagandas tradicionais para criarem conteúdos, ações e/ou adotarem causas que gerassem buzz em torno delas.
É o famoso storydoing no lugar do storytelling.
Muitas marcas já se deram conta desta realidade. Acontece que ela não pára por aí. A transparência é um dos mais fortes protocolos desta nova era digital. É um caminho sem volta. Consequentemente, não basta fazer. É preciso fazer por inteiro.
No curso, o Gustavo apresentou o case de uma tradicional marca de cosméticos que chamou uma mulher transgênero para protagonizar sua nova campanha. Cool. A queda dos gêneros é uma macro tendência e a marca em questão fez o seu dever de casa. Mas foi só colocar a campanha na rua que, nas redes sociais, questionamentos como :
“- Vem cá, mas quantos transgêneros trabalham na empresa mesmo? E na diretoria ou gerência, tem algum transgênero? Vocês tem algum programa de seleção ou de carreira voltado para transgêneros?”
A certeza aqui é a de que se fazer > dizer, considerar e procurar agir em toda a cadeia produtiva será cada vez mais a regra. Não basta adotar uma causa. Sua marca, direção, equipe, cultura, modelo de negócio…tudo deve respirar a causa.
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Muita coisa boa rolou no curso, e é provável que eu ainda vá escrever outros posts pra falar mais coisas que aprendi por lá. Depois do Rio, o FRACTAL vai rodar nas outras cidades que a Perestroika está presente. Recomendo reservar a matrícula de olhos fechados.
Rock hands, Gus!