O SIGNIFICADO EXISTENCIAL

O ser humano, todavia, é um feixe de emoções por deslindar e desenvolver, de forma que se facultem estados interiores de bem-estar e de plenitude, que independem de coisas e de lugares, de circunstâncias e de posses.

A visão hedonista sobre a existência humana tem levado multidões às alucinações do prazer, numa interpretação totalmente equivocada sobre a realidade do ser. A descoberta do significado da vida é de relevante magnitude, porque dá sentido à luta e aos desafios que surgem frequentemente, convidando o indivíduo ao avanço e ao crescimento interior.

Esse sentido existencial é uma forma de religiosidade que deve possuir um alto significado motivador para que o indivíduo não desfaleça nos empreendimentos evolutivos.

Não raro acredita-se em significados meramente materiais como os objetivos de toda atividade humana. Por certo, a conquista de valores imediatos produz estímulos internos, concitando ao prosseguimento dos esforços e à sua manutenção otimista. No entanto, serão aqueles subjetivos, nem sempre identificados pela forma e característica do convencional, que despertam e induzem ao prosseguimento de todos os sacrifícios.

Há quem, de maneira pessimista, assinale que a vida humana é uma infrutuosa experiência, na qual a dor e as transformações perturbadoras desempenham papéis significativos. Outros creem que o tédio e o desfalecimento que tomam conta dos indivíduos são responsáveis pela falta de metas legítimas, porque o ser humano é somente “um animal que pensa.” Nada obstante, a beleza, a arte, a cultura, a ciência, a solidariedade, os sentimentos humanitários, a fé religiosa, demonstram que o ser humano é um incessante conquistador, que avança resoluto na busca do fim pelo qual anela.

Se não cultiva um ideal religioso, encontra-se desvinculado do Fulcro gerador de vida, e, desse modo, desfalece com mais facilidade, por encerrar na anóxia cerebral e, portanto, na morte orgânica, todos os objetivos existenciais, o que não deixa de ser um grande engano. Há, mesmo, nesse tópico, indivíduos que, em se vinculando aos ideais de engrandecimento humano, tornam-nos sua religião, na qual se realizam e desenvolvem outros contingentes de forças físicas, morais e psíquicas que os auxiliam nos enfrentamentos,’ tornando-os heróis internos, em si mesmos, vencedores de alto significado.

O Espírito humano é o mais elevado clímax da evolução antropossociopsicológica na Terra. No entanto, não constitui a etapa final desse processo, porque novos investimentos lhe são oferecidos ou adquiridos, quando encerrando alguns ciclos de conquistas, abrem-se lhe novas frentes para o próprio engrandecimento.

Encontrando-se no campo objetivo da vida, crê-se que tudo deve ser considerado através dos padrões físicos, fisiológicos, materiais.

O ser humano, todavia, é um feixe de emoções por deslindar e desenvolver, de forma que se facultem estados interiores de bem-estar e de plenitude, que independem de coisas e de lugares, de circunstâncias e de posses.

Não se trata de uma questão filosófica ou teórica, mas de uma realidade existencial, na qual, todo indivíduo experiência valores internos que lhe podem estimular ao autoconhecimento ou bloquear-lhe as percepções extrafísicas.

Inevitavelmente, vendo a vida como um amontoado de enigmas, certo aturdimento invade a pessoa, que parece desestruturada para os resolver, temendo ser vencida pela variedade dessas ocorrências inesperadas. Sem embargo, o largo passo da Cultura, da Ciência e da Tecnologia, desvendando sem parar o desconhecido, diminuindo as dores excruciantes que antes eliminavam milhões de seres, muito vem contribuindo para que outros, que jazem ocultos e desafiadores, sejam também ultrapassados, deles retirando-se os benefícios que são decorrentes da sua solução.

Os atavismos que remanescem no ser, mantendo-o na faixa primária das reações comportamentais, têm tornado a existência tumultuada e, às vezes, quase insuportável, com os estertores das guerras de toda natureza, que se multiplicam no ser e à sua volta. Igualmente, as propostas filosóficas, éticas, morais, religiosas e humanitárias vêm trabalhando para que se altere essa situação lamentável, provocada por alguns ignóbeis legisladores que, atormentados e insanos, fazem-se responsáveis pelos tenebrosos comportamentos que assaltam a sociedade, tornando-a, muitas vezes, mais perigosa do que as selvas…

O esforço para se encontrar o significado existencial deve ser contínuo, porquanto a sua falta, o seu não conhecimento podem produzir transtornos internos que dão surgimento a processos psiconeuróticos.

Pessoas inteligentes, lúcidas, estoicas, bem-situadas financeiramente, amadas, quando perdem o sentido da vida e tombam nesse vazio existencial, que a Religião sempre preenche oferecendo metas transpessoais, sentindo-se inúteis, desenvolvem transtornos neuróticos que necessitam ser superados, reencontrando a razão de ser da vida, a utilidade de viver, as imensas possibilidades que lhes estão ao alcance para se tornarem felizes e plenas.

São, portanto, valores subjetivos, como a oração, a meditação, a reflexão, a calma e o trabalho em favor da renovação pessoal, que conseguem preencher emocionalmente, reestruturando o indivíduo em relação à existência humana.

Essa viagem silenciosa é intemporal, não podendo ser realizada em determinado período de tempo, através de objetivos imediatos, mas por meio de experiências psíquicas e emocionais que transcendem a consciência atual, oferecendo-lhe meta segura mais adiante.

A necessidade da Religião ressalta pelo significado profundo de que se reveste, oferecendo compensação e equilíbrio após a vilegiatura carnal. Então, o significado existencial incorpora-se ao consciente atual e estimula as funções do pensamento, que passarão a trabalhar pela qualidade de vida e não apenas pela conquista de coisas que poderiam pressupor a totalidade externa das aquisições.

FRANCO, Divaldo Pereira [Joanna de Ângelis Espírito]. Triunfo Pessoal.

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