Better Call Saul — Meia Volta (S02E01)

Well, hello there
My, it’s been a long, long time

Então, finalmente voltamos. Começamos exatamente onde paramos no prólogo da primeira temporada: Saul (Bob Odenkirk) continua preso e amargurado enquanto trabalha no Cinnamon. Eu poderia gastar algumas linhas descrevendo os contre-plongée e os planos abertos para tornar Saul cada vez menor, mas as composições feitas por Thomas Schnauz, que dirigiu o excelente Pimento na primeira temporada e o memorável Say My Name em Breaking Bad, são auto-explicativas.

Entre o começo e o fim da história veremos diversas rimas visuais. Aqui, já nos é apresentado o interruptor. Mais adiante, esse quadro ganhará mais significado.

Saul acaba se trancando enquanto joga o lixo após o fim de seu expediente. Suas opções então, ficam entre sair pela saída de emergência e automaticamente chamar a polícia para o local, ou esperar por sabe-se lá quanto tempo até que alguém passe pela outra porta. O acaso parece querer lembrá-lo de sua frágil liberdade e seu limitado “recomeçar” pós-Breaking Bad.

Corta. Voltamos para 2002. Em Meia-volta (ou Switch no original em inglês) Vince Gilligan e Peter Gould se permitem a liberdade de lentamente construir a personalidade das personagens. Todos se encontram sob questionamentos sobre a própria índole. Jimmy após os eventos ocorridos na temporada anterior, parece estar a um passo de se tornar Saul Goodman, porém, o vemos dar meia-volta em direção a Kim (Rhea Seehorn). Kim, por sua vez, apesar de estar diametralmente oposta ao Slipping Jimmy, (a escolha de cores das roupas deixa isso bem claro, vermelho e azul) consegue participar no embuste contra o falastrão investidor, Ken (que mais a frente teria seu carro explodido por Walter White em Breaking Bad).

Outro easter egg do episódio é que a fictícia tequila de 50 doláres, Zafiro Añejo, é a mesma usada por Gustavo Fring para envenenar os membros do cartel, na quarta temporada de Breaking Bad.

Por outro lado, a construção de Mike (Jonathan Banks) ainda é sólida: ele é um profissional e pouquíssimo importa a ele seu contratante toma a péssima decisão de dispensar os seus serviços. Daniel (Mark Proksch) não parece saber o que está fazendo. Não é nenhum Heisenberg. Aliás, além de demonstrar um péssimo gosto, as cores escolhidas para seu Hummer, vermelho e amarelo, são sempre cores associadas a perigo e violência. A impressão que temos é devido a sua fraca tomadas de decisões, talvez ele seja o primeiro cliente de Saul. Ou talvez não viva o suficiente pra isso.

A principal mensagem do episódio parece ser sobre controle. Temos agora um Jimmy que ao se libertar de Chuck (Michael McKean) hesita sobre seus próximos passos em direção à sua liberdade.

No segundo momento que o vemos diante do interruptor, é clara a diferença do que vimos no prólogo, onde ele parece até acuado antes de apertá-lo. Talvez todas as suas decisões tomadas no episódio não signifiquem nada e ele esteja realmente fazendo o que Chuck queria que acontecesse, como Kim aponta na discussão no bar. Mas o que importa é que mesmo que nada aconteça quando ele aperte aquele interruptor, ele é que está fazendo-o. Além disso, é um recado claro de que à este ponto, Jimmy não consegue mais resistir a quebrar regras.

O fato é que ainda não vimos o breaking bad definitivo de Jimmy para Saul Goodman.

Better Call Saul está sendo produzida e exibida pela Netflix às terças-feiras.