Nullius In Verba #01

Uma vez me perguntaram:
O que tu escreve é autobiográfico?
Minha resposta foi: O que tu lê é autobiográfico?

O mecanicismo nascido do cientificismo estrutura nossa sociedade Ocidental de uma forma cartesiana, afastando a parte do todo e, assim, criando a ilusão de que há fruição estética sem imersão, sem subjetividade.

Nullius In Verba, que isso?
É uma expressão em latim utilizada como lema da Royal Society que, basicamente, diz: Viva por si mesmo. Experiencie por si próprio. Questione a autoridade.

Assim, nasce esse projeto pessoal como um exercício de ver por mim mesmo e imprimir minha visão acerca do objeto contemplado.

Como funciona?
Toda sexta-feira irei compartilhar, aqui, minha visão sobre os conteúdos (músicas, textos, vídeos, gif’s, ilustrações e tudo essas coisas da internet) que consumi no decorrer da semana.

Espero que instiguem coisas boas. E, como diria ET Bilu, busquem conhecimento.

#01 — Banda Dilei

Quem não sonha em viajar? Curtir a vida, viver intensamente? Normalmente viagens são momentos em que vivemos uma outra realidade, tornamo-nos um novo eu, através de novas experiências e memórias. É o romantismo de libertar-se da sociedade de consumo em que vivemos, como um Alex Supertramp do filme Into The Wild. Ah, já gravei um podcast sobre, se quiser ouvir. Mas essa liberdade, no fim, pode ser apenas fuga. Se for uma fuga será momentânea e, logo, cairemos em uma realidade que, aos poucos, rui e transforma-se em algo a ser escapado, novamente. Partindo dessas ideias a banda Dilei cria suas canções, com uma visão crítica ao fetichismo de viajar e libertar-se. As canções são reflexões de autoconsciência. Falam de uma viagem verdadeira e interna, descobrir-se nas ruelas de sua alma, encontrar-se nas esquinas da sua mente, perder-se nas estações do seu coração. É viajar consigo mesmo, uma jornada interior.

Onde encontrar: Canal Youtube, Site, Spotify

#02 — Textão Da Porra Hegel e a dialética do Facebook: As redes sociais e as formas de escravidão virtual

Então, é antigo. Ainda mais para o pressuposto da vida útil de informações aqui, nesta rede de computadores internet. Enfim, eu li esse texto duas vezes no ano de 2015 e, ontem, li pela terceira vez. Hegel sempre foi um cara que eu julgava inacessível, comecei a ler ele e desisti. O cara era brilhante, revolucionou a filosofia, de tal modo que alguns conceitos por ele criado eram tão difíceis de compreender que traduziram o texto para o francês, afim de que ao ler em outra língua poderiam apreender melhor as ideias hegelianas. Linguagem é algo louco né? Mas deixa isso, para outra sexta-feira. Enfim, esse texto do Valter Nascimento é sensacional e me ajudou a retomar a vontade por Hegel e, após a leitura do texto do Valter, li A Dialética do Senhor e do Escravo conseguindo absorver de uma forma melhor as ideias e informações do conceito. Espero que seja uma boa leitura e, assim como a mim, ajude você a tomar consciência de si.

Onde encontrar: Aqui

#03 — Juno Reactor & Astrix

Nem tenho palavras, não. Já conhecia o trampo do Astrix que ó: TOP³. Mas uma amiga muito querida me mostrou o grupo Juno Reactor que é fenomenal também. Então, dia desses cai nessa remix que o Astrix fez da música Conquistador. Vale o remix acima e, com certeza, a original também. Sabe o que acho mais incrível na música eletrônica? É que, para mim, ela é a emanação do Nullius In Verba, afinal, pega-se elementos de outras músicas e outros conteúdos sonoros (gritos de guerra de tribos, discursos de presidentes, falas de filmes, ‘barulhos’, etc) e chega-se a uma nova música, uma nova visão sobre algo. Enfim, é mágico. Transmuta os elementos existentes criando, assim, vida.

Onde encontrar: Já linkei ali em cima. Recomendo acessar o soundcloud dos rolê ai.

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Enfim, obrigado pela leitura até aqui. Nos vemos na próxima sexta-feira, ou não.