Somos Você.

Testemunha com amnésia.
Poeira dos móveis e cômodos. 
Você respira e rola os dados.
Frouxa, a coleira da realidade,
cai ao chão e tudo vira fantasia.
Nada aqui era de verdade.

Onde estamos?
Aqui, onde toda dor,
vira grito incontido. 
Em busca do perdido.
Aqui: elo, tempo, paciência.
Pouco importa o nome.
Aqui, tudo se auto-consome.

Onde vocês guardam, as vozes?
Que, ferozes, não se apagam.
Quem são vocês, de onde vieram?

Somos letras, em papel molhado.
Viemos da estrela que se esvai.
Somos frases que vão se apagando.
Entalhadas nas memórias,
de contadores de histórias.
Somos aquilo que cai,
sem nunca chegar ao chão.
Somos de um verso, sem refrão.
Nós somos você. Não lembra?

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