Category is: Série LGBTQ+ mais relevante dos últimos tempos.

Ryan Murphy nos presenteou esse ano com "POSE", a série que aborda o universo dos bailes LGBT+ presentes na cidade de Nova York nos anos 80. Isso faz dela uma série de nicho? SIM! Mas o que seria uma série de nicho? Vou explicar: uma série de nicho é feita para todos os públicos, porém ela afeta muito mais uma certa parcela da população :) e isso não significa que você, pessoa heterossexual não possa assistir e apreciar a direção de arte belíssima e entender um pouco mais sobre o universo dos bailes (que deixa tantas influências na cultura pop atual que você provavelmente consome de alguma maneira).

Elektra Abundande

Aí você me pergunta: "Mas por que dar um destaque tão grande a uma série LGBT em pleno 2018? Existem muitas!". A grande diferença de "POSE" é que ela aborda a realidade cruel de quem faz parte da comunidade e não é do "padrão" pré-estabelecido (Branco, homem, cisgênero, masculinizado e rico). Isso começa já no elenco: o maior com atores, roteiristas e produtores transsexuais e negros na história da televisão, gritando representatividade de uma maneira linda! O período da série é bem específico mas as questões e aflições tratadas são vivenciadas por nós que não somos o "padrão" dentro da comunidade LGBT até hoje: a rejeição e inferiorização ao homem gay afeminado, a fetichização das mulheres transsexuais negras, a marginalização das pessoas portadoras do vírus HIV (que vivia o seu "boom" visto como a "doença gay" nos anos 80) entre outros estigmas que vivemos atualmente.

Blanca Evangelista

As pessoas rejeitadas pela grande massa unicamente por serem o que são, se uniam e se ajudavam formando verdadeiras famílias, mas reproduziam o mesmo discurso de ódio que era direcionado à eles por se julgarem "superiores" de alguma maneira; em resumo enquanto os homens brancos gays e cisgênero tentavam conquistar um alto patamar na alta sociedade heteronormativa, os negros LGBTs tentavam sobreviver com qualquer migalha remanescente da sociedade (qualquer semelhança com a realidade brasileira atual NÃO é mera coincidência).

Perceba sobre o que isso se trata… sobre ser capaz de se encaixar no mundo branco e hétero para que possamos viver o sonho americano. Só que não temos acesso a esse sonho e não é porque não somos capazes.

Blanca Evangelista.

Damon Evangelista

Esses estigmas são mostrados pela trama em diversas situações: Blanca, a personagem principal, sendo expulsa de um bar gay (com frequentadores majoritariamente brancos) por "não ser o público adequado ao local", a maior parte das personagens que são mulheres transsexuais terem sua renda proveniente da prostituição por não serem aceitas em outros empregos, o companheiro de Elektra Abundance se opor à sua cirurgia de transição pois isso não o agradaria sexualmente e diversas outras.

Algo muito interessante é que todo esse cenário de preconceitos e marginalização não impede em nada comque cada personagem faça sua aparição extremamente glamurosa nos bailes e ganhem os troféus nas categorias que competem, isso foi algo muito icônico pra mim, como se a série falasse em cada momento desses: "Não deixe que eles tirem o seu brilho e o seu glamour próprio." Afinal, como diria Elektra Abundance: "Realness is what it’s all about".

Angel Evangelista

Com grande alívio a série já foi renovada para uma segunda temporada pro ano que vem, tenho certeza que todos esses moods citados tem ajudado muitas pessoas (assim como eu) a ter uma visão apesar de realista com uma "luz no fim do túnel". Ninguém tem o direito de dizer o que você é e onde você pertence, isso é algo que só você pode mensurar no cenário no qual sentir-se mais confortável.. e na dúvida: LIVE, WORK, POSE!