A cada início de resposta, Richarlison solta um “ah…” como quem ainda se acostuma aos microfones. Há três anos, era mais um menino de Nova Venécia, no Espírito Santo, sem clube de futebol e com talento. Hoje é jogador da liga mais rica do planeta. Falar sobre esse passado quase presente dá naturalidade ao discurso, tanto que foi a resposta mais longa da entrevista.

“Quase todo dia lembro desse tempo. Meu pai morava na roça e eu não podia treinar, então acabei ficando na casa do meu tio. Como não tinha espaço direito, minha tia viajou e ficava adiando a volta para me ajudar. Consegui um teste em Belo Horizonte e fui só com a passagem de ida porque gastei a de volta comendo, tava com fome.”

Chegar a um clube profissional aos dezessete anos é como ser estagiário de uma empresa aos trinta — a desconfiança vive ao redor. Nove gols marcados com a camisa do América Mineiro transformaram o atraso na venda mais cara da história do Coelho, que cedeu Richarlison por R$ 10 milhões ao Fluminense.

“Levei meu tio para morar no Rio e a primeira coisa que fiz quando ganhei um dinheirinho foi dar um carro novo pra ele. Peguei muita carona no velho.”

Registro do (feliz) bate-papo

Bem mais real que as cansativas legendas em fotos de cachoeira no Instagram, a gratidão parece crônica: em mais de uma oportunidade, Richarlison agradeceu Gomes. Treze dos 36 anos da vida do goleiro passaram-se na Europa: PSV, Tottenham, Hoffenheim e Watford. Gomes recebe Richarlison com os braços tão abertos quanto ao defender um pênalti.

“Nós precisamos dele, então o que eu tenho que fazer? Dar o meu máximo não só para ajudá-lo dentro de campo como também para que ele seja feliz fora.”

Sob os cuidados de Gomes, o ex-atacante do Flu já foi titular do Watford em três partidas no primeiro mês de Inglaterra. E engole a hesitação do “ah…” quando traça os próprios objetivos.

“Fazer história aqui e depois chegar a um clube grande da Europa, meu sonho é jogar no Borussia Dortmund por causa da torcida. Agora eu quero é fazer muitos gols e ir para a Seleção.”

“Joinha” e confiança
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.