Sobre Bolsonaro, Fumec e Voltaire

Não, não vou escrever sobre filosofia, pode ficar tranquilo, mas sim sobre essa polêmica vinda do Bolsonaro para BH, para dar uma palestra na FUMEC, a universidade em que estudei. E sim, eu não sou nem um pouco contra a palestra dele, pelo contrário.

Calma, antes de fechar o navegador ou cuspir na tela, controle a sua vontade de me chamar de apoiador de fascista e veja os meus argumentos, quem sabe você também não concorda.

Não concordo nem um pouco com o Bolsonaro e muito menos com as idéias absurdas que ele propaga, a última foi a saída para o mar para Minas Gerais, uma versão tupiniquim da briga Bolívia-Chile. Mas é aquela história do Voltaire né:

“Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la.”

Então, uma vez eu li uma frase que não sai da cabeça, não existe meio termo para defender a liberdade, ou seja mesmo que seja uma bobagem descabida, o infeliz deve ter o direito de dizê-las.

Mas tem mais, eu amo frases feitas, e uma não sai da minha cabeça quando eu penso no fenômeno Bolsonaro, que vem ganhando cada vez mais adeptos.

“O peixe morre pela boca”

Sim, o peixe morre pela boca, ou seja, a melhor maneira de acabar com esses oportunistas políticos, sem qualquer tipo de plataforma ou assunto, é deixa-los falar. O Bolsomito como dizem por aí, é raso, extremamente superficial e sem qualquer conteúdo, que não envolva o bandido bom é bandido morto, e a sua pregação contra os tais direitos humanos.

Então, eu quero mais é que ele vá palestrar na Fumec, e que os alunos da minha antiga e eterna casa, o questionem por exemplo sobre a relação entre a queda da inflação e um possível agravamento do endividamento das famílias.

Queria muito saber qual será linha de política econômica que ele pretende adotar, se é mais próxima do desenvolvimentismo intervencionista ou do liberalismo. Sobre o que ele pensa da desregulamentação da economia, como feita pelo governo Ford nos EUA.

Porque não perguntar ao Bolsa o que ele pensa da relação entre aborto e violência urbana, ou até mesmo qual seria a opinião dele quanto a lei geral do licenciamento ambiental. Será que ele é favor da exploração turística dos parques nacionais? Qual seria a opinião desse cidadão, quanto ao transporte urbano, devemos mesmo manter o modal rodoviário? Será que o estado brasileiro deveria investir no transporte aquaviário?

Será que ele concorda com a reforma da previdência? Qual seria a fórmula ideal para o reajuste do salário mínimo? Indexar o salário mínimo como estamos fazendo é uma boa ideia? Será que não deveríamos partir para a indexação do salário mínimo aos cargos estatais?

Sim, eu não acho que o Bolsonaro está preparado para responder todas essas perguntas, eu não acho que o Bolsonaro é apto para assumir nem a presidência do partido que ele escolher para se candidatar. Mas eu acho sim, que enquanto a gente achar que na porrada e na força que a gente resolve as coisas, cada vez mais Bolsonaros vão surgir no horizonte.

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