Argonauta 2.0

para Penápolis e minha abuelita

Fundação de Penápolis

Cana, cana, cana, cana
Céu azul e nuvens brancas
Um zé doidim, uma cigana;
simplicidade; progresso esgana.
Cana, cana, cana, cana
Céu azul e nuvens brancas
mágicorealismo da terra seca
Flutua pela cidade plana
***
Hoje, acordei desesperado
Precisando de Penápolis no sangue
Hoje, acordei angustiado
Ansiando pelo azulhorizonte.

Na Rondon, destemidos postes
eletrificam o verdemar.
O marrom raro dos cupinzeiros 
beatifica naivés a pintar.
Cana, cana, cana, cana
Céu azul e nuvens brancas,
Fundada sobre Coroados e colonos,
Argonautas deste seco oceano. 
O calor, o caipira e a cana,
Males da cidade arcana.

***
Aí, queria ter do poeta o sangue
De Granada e da revolução.
Minha bisa veio de España
Lá como cá, retorce à mão
árvores nuas que bailam pra lua, 
o sol que agita o rojo sangre

Um matuto, um vira-lata,
A benzedeira, a pipa pirata;
Este sangue quente, a seca sede
Esta cana rente, a mole rede

(Vierde que te quiero vierde)

Cana, cana, cana, cana
Céu azul e nuvens brancas
Ayer abuelita en Montilla,
Hoy Penápolis; el sueño mañana.

Capela da Vila São João, Penápolis

Fred Di Giacomo é escritor e jornalista multimídia. Autor dos livros “Canções para ninar adultos” e “Guia poético e prático para sobreviver ao século XXI”, entre outros. Co-criador dos games “Science Kombat” e “Filosofighters” e do Glück Project, uma investigação sobre a felicidade. Escreve para viver.