Carta ao filho

Oh, meu filho, escute bem.
Oh, meu filho, que ainda não brotou,
Brote bela flor,
venha com amor.

Oh, meu filho, escute bem.
Quando o seu pai se for,
não for mais eu,
Souber que já morreu,

Recorde-se:

Da terra, somos o sal
Do destino, o leme
Da existência, o intento

***
Dinheiro não é importante.
O que importa são as pessoas,
a arte e os pequenos prazeres:

Um café, uma cerveja, fazer amor
Ler o céu,
dormir abraçado com quem se benquer,

Ajudar sem ansiar nada em troca.
Ouvir uma canção que nos chova os olhos
e aprender algo novo a cada dia.

Não engolir a miséria,
Não destratar o próximo,
Não abaixar a cabeça.

Amar o outro, mas amar a si mesmo.
E devolver o mundo um pouco melhor
do que se recebeu

***
Um pouco melhor
do que
se recebeu

***
Meu filho querido,
Você ainda não nasceu,
Mas é um pequeno sonho meu.

Meu filho, o que importa
É só o amor
Que um dia me deram e, hoje, te dou.

“Carta ao filho” é o poema que encerra meu livro vindouro “Guia poético e prático para sobreviver ao século XXI” (lançamento dia 31/08, às 19h, na Patuscada) e foi escrito alguns dias antes de meu filho nascer. Achei que fazia sentido esse poema encerrar o ciclo de um livro escrito, na sua maior parte, por um Fred que era só filho e que já não existe mais. :-) Quem quiser pode encomendar o livro no site da Editora Patuá.