16 — Os Últimos Suspiros

Frederico M. W.
Aug 22, 2017 · 2 min read

Alguns pensamentos suicidas têm dominado minha mente nos últimos dias. De onde eles vêm? Qual é o momento em que eles surgem? Não há um padrão. Eu posso estar sozinho, ou posso estar numa multidão. Eu posso estar em casa, ou posso estar no trabalho. Eu posso estar tanto triste e alegre. É em qualquer lugar, em qualquer situação. Às vezes, temos algumas vontades e desejos de morrer, não?

De qualquer modo, eu me pergunto hipocritamente se a origem desses sentimentos pode ser oriundo de uma Alice, de uma outra frustração, ou de sei lá o quê. A questão poderia ser ainda os meus relacionamentos? A questão pode ser a minha “função” no serviço público ou da minha “força” produtiva? A questão pode ser o meu (inapropriado) comportamento? A questão pode — deve (simplesmente) — ser a minha vida? Ou são todas essas as questões que propiciam mais um pensamento desses?

Não imagino que o suicídio seja uma solução, digamos, palatável ou “natural” para os meus problemas, nem uma atitude que me apetece, apesar de ter algumas opiniões curiosas a respeito disso — afinal, é, querendo ou não, uma opção que está disponível. Mesmo com as adversidades, há toda uma vida lá fora nos aguardando. Mas, no mais das vezes, não somos racionais — em certo contexto, dizia alguém que a razão é escrava das paixões. Enfim, (in)felizmente não há uma vontade mais robusta em me matar ou em, digamos, tirar minha vida. Contudo, há vontade e vontades de morrer — talvez de sumir, de desaparecer, de me “livrar” de tudo isso, das responsabilidades, das tristezas, das alegrias, e me livrar do que não tenho, inclusive.

Há muitas dificuldades por aí e aqui. Sempre haverão. Há muitas, porém, permanências de certos pensamentos. É fundamental, em certas ocasiões, uma ruptura, uma “quebra”. E onde estão as rupturas ou como é possível romper esses laços, esses “nós”? Drasticamente, eu não consigo ser alegre o tempo inteiro. Como eu poderia? Minha felicidade parece tão falsa como esse mundo.

Aqui, nesse mundo, eu interpreto e devo interpretar uma personagem. Em casa, só, comigo mesmo, sou outra pessoa. Sou agressivo, sou depressivo, sou arrogante, arrependo-me e sinto saudades. Enfim, parece que eu sou outra pessoa: muitas vezes as aparências enganam. Por outro lado, sou eu mesmo, em todas essas situações, não? Há vários “eus”.

Eu já me acostumei com a ausência, que é somente a minha presença: pois, há sempre e apenas um prato na mesa, caso existam mesas. Podemos recomeçar de novo. As partidas nos partem, só que podemos sempre recomeçar — é o que deve afirmar algum dístico. Mas até quando? Até cansar? Haverá um último suspiro. Talvez em breve. Talvez muito em breve. Assim espero. Por fim, às vezes não temos o que falar — e é o melhor a ser feito.

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    Frederico M. W.

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    Um mero alguém que escreve meramente algumas coisas.