22 — Aniversário I

Em certo momento, li um livro em que o escritor e sua família tinham um costume peculiar. Um costume de fazer poemas: para momentos de tristeza, de alegria, e de vários outros. Eram pequenas palavras (e gestos) sobre ocasiões especiais ou inusitadas. Bem, eu já escrevi alguns vários poemas. Eles foram meio desleixados, é claro. Mas, curiosamente, nenhum deles foi escrito “de mim para mim”. O poema (se é que podemos considerá-lo) abaixo é sobre o meu aniversário (uma data que por alguns motivos eu não tenho muito apreço e consideração, apesar de ser um dia especial): um pequeno presente para mim mesmo. Seria esse um novo costume?

Um Dia

Dia dezenove de outubro de algum ano aí.
Dia também da cidade em que supostamente eu nasci,
E que se chama, simplesmente, de “Ijuí”.
Terra das Culturas Diversificadas, é o que dizem, não?
Sim. E daí?

Nesse dia dezenove, é dia de uma nova lua — ou de luas novas.
Um novo tempo, que possivelmente indicam novas fases — e novos ares.
Mas, tantos “novos” tempos já se passaram, com muitos outros pesares.
Que motivo há, então, para que nesse aniversário, em especial,
E tão sugestivo, floresçam peculiares expectativas
De um tempo que não seja mais e meramente superficial?

Aqui, mais uma e outra vez, eu vou,
Agora, para novos e outros tempos.

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