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Aurora dos meus tempos.

A aspereza do som dos besouros esmagados contra uma calçada de cimento quente de verão. Um chalé desaguava no lago. A sensação de pisar em cocô de cupim numa tarde de sábado, indo tirar uma soneca. Sentir sede de noite. Pais dormindo abraçados. Fugir para ver garotos mais velhos jogando basquete numa quadra bem iluminada. Vagalumes no caminho. Piado de coruja. Medo de abdução. Uma mercearia azul clarinha com muitos enlatados. Pista de boliche manual. Cheiro de cerveja quente. Zumbido de mosca. Pegar minhocas para pescar.

Alagados.

Tem poesia no teu nome.

Janelões de vidro e música de novela. Queijo mofado. Limão rosa. Pinha. Vento gelado. Água. Suar de touca. Pizza pronta na forma encardida. Patê de atum. Arbustos. Barco à vela. Presentes caros. Não os meus. Sobrenomes difíceis. Fogos de artifício. Bingo. Cidra barata. Barata. Dente de leite. Barras de vestidos. Sorvete moreninha. Luminoso de pesca. Estalinho. Escorpiões debaixo de pedras. Peixe pedra. Pedras. Infância. Verões. Nostalgia.