Rotina

Um dia qualquer começa sempre igual: lento, moroso, totalmente incapaz de alimentar qualquer tipo de entusiasmo.

O dia é insosso, é neutro, é deprimente em sua obviedade. É um dia que vivo sozinho, não importa com quantas pessoas em volta. Aqui e ali, o tempo passa, devagar, rende um ou outro sorriso. Mas o dia é sempre perdido antes de começar, na expectativa de vê-lo acabar o quanto antes.

Por ser o dia descartável, ele sempre pode surpreender, e por vezes o faz. Cedo ou tarde, um desses dias vinga os outros, é melhor que a maioria, e vai embora de cabeça erguida, tendo me feito uma surpresa genuína.

O outro dia é com ela. Esse sempre vence, porque nele cabe tudo. Cabe o que já aconteceu e o que pode acontecer. Cabem todos os outros dias que viriam depois, tudo que daria certo, e até o que daria errado, que teria que ser superado, porque valeria a pena.

O dia com ela é difícil. Nele eu entro feliz, sabendo que vou sair triste, como em todos os outros, menos aquele um. Porque no final do dia dela, não tem lugar pra dois, e eu sempre fico de fora. O dia com ela nunca surpreende.

E ainda, todo dia seria dia dela se tivesse a escolha. Os dias com ela são melhores que os dias sem ela. São de contar as horas, até dar a hora. São os dias de não ser só. São os dias que eu não quero que acabem.

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