você
“…você apareceu do nada, você mexeu demais comigo…”
brinks, não vou citar titãs. mas olha, você apareceu num momento MUITO difícil pra mim, foi bem do nada. minha primeira separação da vida adulta, vida real. separar os móveis, as tralhas, os talheres. e foi bem aí que você apareceu.
no começo, nem tchum. só um cara xis, mais um trampo pra fazer. você me envolveu e eu mal percebi. fui lá, saí de casa, e entre choros e sorrisos mudei pro meu primeiro apê. minha primeira noite lá foi com você. você tem noção disso?
você dormiu quase todas as noites aqui. você mexeu nas minhas coisas, nas minhas fotos, nas minhas roupas, na minha alimentação, nos meus hábitos (até me tirar do sedentarismo você conseguiu).
mas a que preço? “…levou os meus planos, meus pobres enganos” (chico eu cito sim). e quantos enganos você levou junto. graças a deus, digo hoje.
me espanta quantos enganos você me trouxe. me envolveu, me prometeu amor pra toda uma vida. prometeu tanto, e eu nem pra duvidar que era demais. mas a vida dá o seu jeito de mostrar a real… demorou, mas eu vi.
me dá calafrio pensar que você foi a pessoa mais desonesta que já passou na minha vida. forte, eu sei, mas é verdade. à primeira vista você parece ser a pessoa mais leve, a mais divertida — era quem eu precisava naquele primeiro momento. mal sabia eu que aquela leveza escondia uma sombra tão escura…
mas tudo bem. “…não tem revolta não. eu só quero que você se encontre” (é do peninha, mas na minha cabeça está a voz do caetano).
“…e certamente eu vou ser mais feliz.”