Das poesias antigas

II

queria ver-te com olhos que só veem o perto
mas te vejo como uma estrada da qual é bom percorrer.

queria ver-te como barulho de mar estressante em fúrias de bandeira preta de
um inverno de 2016.

mas te vejo como um extenso campo de flores azuis a qual quero dançar.

queria ver-te como todas essas pessoas normais em que vejo.
elas não vão para nenhum lugar. ficam em círculos invisíveis.
traçados pelo mesmo destino.
não escutando música alta. não lendo novos
ou velhos poemas.

pessoas mortas.

apavoram-se com a morte só se for dita ou vista com sangue.
não percebem que por dentro já estão enterrados.
rosas murchas por dentro.

queria ouvir-te como se fosse a banda *pantera de ressaca
em que fica insuportável até a
própria voz.

mas,

te escuto como passarinhos cantando no começo do dia
e você sabe que amo à calmaria.

queria ver-te como um filme da qual não fez sucesso.
mas te vejo como maior número de bilhetes vendidos.

antes mesmo da
estreia.

de qualquer forma,

você pode rasgar as minhas roupas

já que

quanto ao meu coração, sempre esteve.

só saiba que você é muito jovem para estar morta agora.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.