le toilettage au bout des doigts

mercúrio em aries e o trem assoviando saindo antes das 08:00. a textura dos meus lábios beijando teus olhos. janelas grandes com vista. check in no café de la paix e café tão quente que ao segurar a xícara já se esquenta as mãos. mãos de arte, tesoura, remenda, nunca ousei costurar os lábios quando de ti ganhei beijos. de color.ido, quadro do Auguste Renoir, as pontas dos dedos enrugadas de frio e o coração aquecido. saudade de paris em 1981. se teu coração fosse arma de fogo deixaria atirar em mim. tirou-me o ar serrado de olhos sempre tão tristes, temperatura de 6°, poesia de ônibus e desde que te namoro nunca mais foi como se meu rosto fosse deformado pela sola dos sapatos do capitalismo e falta de realidade. se movimenta e não se parece com mademoiselle, mãos e corpo tatuado e possui o ar chique que é como se pudesse segurar talheres de ouro e as minhas mãos. tesouros encontrados em vestígios não periódicos, e sim constantes, sem intervalos, fugiria como astronauta ou me nomearia artista, para seres minha musa e nunca cansarmos do ar poluído. ainda vejo tu sorrir com os olhos e é a coisa mais linda que poderia existir. queria estar em paris, enquanto as luzes não se apagam nunca e nós eternas. vênus de urbino, deita-te sobre a cama que pinto-te o corpo, feito o próprio ticiano, teus seios e coração a um alcance de mãos. mergulhamos para não voltar, em profundo. com ar.

art, “vênus de urbino”, ticiano (1538)

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