Todo dia
Todo dia um dos meus morre
Pela bala da polícia
Pelo descaso do Estado
Pelo peso da transfobia
Laura Vermont
Thadeu Nascimento
Kayla França
Dandara dos Santos
Todo dia um dos meus morre
Morre sem dignidade (existe dignidade para os meus??)
Morre e vira estatística de um Estado genocida
Que mata trans e preto todo o santo dia
E se eu passar dos 35 já é um puto lucro
Somos jogados as margens
Prostituição
Evasão escolar
Desemprego
Depressão
Suicídio
Assassinato
Tortura
Abandono familiar
(Crimes de ódio, que destroem nossos corpos e levam embora nossas almas)
E quando a morte enfim chega
Porque ela fica anos à espreita
Às vezes consigo sentir o hálito podre dela no meu cangote toda vez que um dos meus é apanhado
Nossa dignidade
Nossa humanidade é negada mais uma vez
Seu nome era Ana, mas o jornal insistir em chamar de fulano, um nome que nem era seu
Seu nome foi ignorado, sua identidade apagada
Nem na morte foi reconhecida…
Estamos sitiados pela morte
Se ela não me buscou hoje
Amanhã posso não ter tanta sorte (que porra de sorte??)
Só não vou saber em qual estatística vou entrar
Na da juventude preta
Ou da população trans?
Sinto que a morte está sempre à espreita sabe
Se ela não me mata com armas e socos
Mata com desemprego
Com a depressão
E faz com que eu desista de mim…
“Como desistir de quem você é?
Isso significa a própria morte?
E quantas vezes nós morremos esse mês?”
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