7 perguntas curiosas, indiscretas e muito importantes sobre
sexo e HIV


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Esse e-book foi apurado aqui na casa à pedido da revista Saúde, projeto liderado por nossa especialista no assunto, a Sílvia Lisboa. Além de cavocar um assunto que segue importantíssimo, ficamos felizes que a informação está disponível para qualquer pessoa que possua smartphone, tablet ou computador a um preço modestíssimo: R$ 5. O aplicativo do Kindle é gratuito (clique aqui para baixar), ou seja, você só vai gastar com o conteúdo mesmo. Não é uma forma legal de distribuir informação útil para todos? Segue um aperitivo.

1. Quais são os primeiros
sintomas de alguém que pega HIV?

Muitos indivíduos não sentem nada logo após a infecção. Outros, porém, podem sentir sintomas parecidos aos de uma gripe, como febre, mal-estar no corpo e cansaço. Há casos também de dor de garganta, gânglios inchados no pescoço, na virilha e nas axilas, manchas vermelhas na pele — especialmente no rosto, pescoço e tórax -, diarreia, diminuição de apetite, perda de peso, dor muscular e alterações na menstruação. Os sinais duram entre 15 e 30 dias após a infecção e são uma resposta do organismo ao vírus. Se você está na dúvida se esses sinais são oriundos do HIV, procure um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) mais próximo e faça o teste gratuitamente. O site www.aids.gov.br traz uma lista dos locais.

2. Quem foi a primeira
pessoa a contrair o HIV?

Foi um caçador africano, contaminado em 1920 após comer carne infectada com o vírus de imunodeficiência simio (SIV) de chimpanzés Pan troglodytes troglodytes (SIVcpzPtt), que habitam o sudeste dos Camarões, na África Subsaariana, a região do planeta mais dizimada pela doença. Os SIVcpzPtt são vírus muito semelhantes aos HIV-1 do grupo M e, portanto, considerados os precursores animais da estirpe pandêmica do HIV.

3. Quantos tipos de HIV existem?
Qual é o tipo mais perigoso?

Existem dois tipos de vírus: o HIV-1 e o HIV-2. O HIV-1 é o responsável pela epidemia global, enquanto o HIV-2 se concentra na África Oriental. O HIV-1 se divide nos grupos M, O , N e P. Em cada um desses grupos, há diversos subtipos. No M, o mais comum, o subtipo C é o mais prevalente, sendo responsável por 53% das infecções no mundo. No Brasil, os mais presentes são os subtipos B e C. O C, junto com o E, é considerado o mais perigoso devido à facilidade de transmissão por via sexual. Já o HIV-2, subdividido nos grupos A ao E, é mais brando e tem evolução mais lenta.

4. Quanto o governo brasileiro
gasta anualmente por pessoa
com o tratamento antirretroviral?

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2014 o governo gastou R$ 780 milhões com a aquisição de 22 medicamentos antirretrovirais para quase 400 mil pessoas em tratamento pelo SUS. Isso dá, em média, R$ 1.950 por pessoa, anualmente. O valor não leva em conta outros tipos de suporte oferecidos pelo governo, como terapia psicológica, nutricionista, fonoaudióloga, fisioterapeuta, assistente social, entre outros.

5. Há uma estimativa de quantas vidas foram salvas depois que foi introduzido no Brasil (ou no mundo) o tratamento antirretroviral?

Não há dados de quantas vidas foram salvas após a introdução do coquetel antirretroviral no Brasil, em 1996. Segundo o Ministério da Saúde, desde a implementação do acesso universal e gratuito ao coquetel a média de sobrevida dos soropositivos aumentou de nove meses para mais de nove anos em relação à década de 80. Uma pesquisa publicada em 2014 na revista The Lancet revela que as mortes em decorrência do vírus da aids no Brasil vêm caindo desde a década de 1990. Em 1996, 17 mil soropositivos brasileiros morreram e, em 2013, o número caiu para pouco mais de 10 mil. Entre 2000 e 2013, a queda anual nas mortes foi de 2,3% enquanto que a média global de redução foi de 1,5% ao ano.

Entretanto, há divergência entre os números revelados no relatório de 2014 do Unaids. Segundo o documento, entre 2005 e 2013, houve aumento de 7% no número de mortes em decorrência do vírus da aids, enquanto a média global caiu 35%. O documento ainda aponta que, nesse período, o número de novas infecções no Brasil aumentou em 11%, na contramão da queda média mundial de 27,6%. Apesar disso, o Brasil é elogiado pelo Unaids. Entre 2005 e 2014, o país mais do que dobrou o número de brasileiros que recebem tratamento gratuito pelo SUS, passando de 165 mil, em 2005, para quase 400 mil em 2014. Muito do aumento da oferta se deve porque o Ministério da Saúde, desde dezembro de 2013, recomenda que os pacientes façam uso do coquetel antirretroviral no momento em que descobrem sua sorologia, independentemente da taxa de linfócitos T CD4. Vários estudos mostraram que a adesão precoce ao tratamento reduz em 96% a taxa de transmissão de HIV. No entanto, ainda há muito o que fazer. De acordo com o Ministério da Saúde, de 1980 até 2013, cerca de 280 mil pessoas morreram por complicações do vírus no país. Hoje, estima-se que existam cerca de 734 mil brasileiros soropositivos, mas só 400 mil estão em tratamento com antirretrovirais.

6. O que é preciso fazer para a ciência conseguir uma vacina contra o HIV?

A ciência precisa contornar dois problemas para encontrar uma vacina anti-HIV. O primeiro deles é driblar a extrema variabilidade genética dos vírus da aids. Existem dois tipos de HIV principais, o HIV-1 e o HIV-2. Mas dentro deles, há uma infinidade de subtipos. O HIV sofre mutações até mesmo dentro do organismo de um mesmo soropositivo. O desafio que ainda tira o sono dos cientistas é desenvolver uma vacina que consiga ser eficaz contra todos, senão a maioria, dos vírus da aids circulantes. O segundo obstáculo é criar um imunizante contra uma infecção crônica como o HIV. Até hoje, as vacinas mais bem-sucedidas protegem contra doenças auto-limitadas, isto é, o indivíduo pega uma vez e depois fica imune pra sempre. O problema com o vírus da aids é que os soropositivos não ficam imunes a ele nunca, mas sim infectados pelo resto da vida. Além disso, o HIV ataca justamente um tipo de célula do sistema imunológico que organiza as defesas do corpo contra os invasores, os linfócitos T CD4. Os cientistas precisam criar uma vacina que ative a imunidade celular de forma tão potente que mate o HIV antes de ele conseguir copiar seu DNA dentro da célula ou enfraqueça tanto seu impacto ao ponto de o indivíduo não desenvolver a infecção. Nenhuma vacina conseguiu até agora superar esses dois entraves. A vacina anti-HIV mais bem sucedida até o momento, desenvolvida na Tailândia, alcançou uma taxa de eficácia de 29%, considerada muito baixa por epidemiologistas. Por causa disso, nunca foi incorporada pelos sistemas de saúde.

Mas a esperança não acabou. Existem atualmente cerca de 30 ensaios clínicos no mundo com vacinas candidatas a erradicar o HIV. O Brasil também está prestes a entrar nessa. Em 2014, um imunizante desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan, alcançou resultados surpreendentes em macacos. A resposta imune nos primatas foi 10 vezes maior do que a obtida em camundongos, o que aumenta as chances de que ela mantenha os bons resultados nos testes em humanos, previstos para iniciar dentro de 3 anos. O imunizante brasileiro é feito com pedaços do HIV que não apresentam tanta variabilidade. Ou seja, os cientistas da USP descobriram que havia 18 regiões do DNA do vírus da aids que eram comuns a quase todos os subtipos. Essa seria uma das formas de vencer o primeiro problema e criar uma vacina universal contra o mutante vírus da aids. Outro princípio do imunizante brasileiro é que ele quer induzir, a partir de pedaços inativos do HIV, a produção de linfócitos T CD4, justamente o alvo principal do HIV. Reforçar a imunidade celular dificultaria a entrada do vírus em pacientes livres da infecção, a quem a vacina se destina. Mas para ser realmente eficaz — e driblar o segundo problema -, a resposta imune induzida pela vacina tem de ser realmente ampla e neutralizante. O próximo passo da pesquisa da USP é ampliar o teste com macacos para ver se os bons resultados persistem. “Além disso, vamos usar vetores virais atenuados, capazes de produzir uma resposta imune mais intensa”, diz o líder do estudo Edecio Cunha Neto, professor de Medicina da USP e pesquisador do Instituto do Coração (InCor), de São Paulo. A expectativa é a de que, se tudo der certo, a vacina anti-HIV brasileira fique pronta em uma década, afirma Cunha Neto.

7. Quais países não permitem
a entrada de portadores do HIV?

Cinco países não permitem a entrada ou estadia de pessoas com HIV: Brunei, Oman, Sudão, Emirados Árabes e Iêmen. Nesses países, os soropositivos podem ser deportados. Segundo a Unaids, no total, 20 países e regiões no mundo impõe restrições à entrada de portadores do vírus da aids. Cada país tem soberania para criar sua própria lei e impor esse tipo de regra. Somente em 2011, os países-membros das Nações Unidas concordaram em eliminar as restrições à entrada de soropositivos.


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