O bullying socialmente aceitável.

Escrevi este texto há uns dias no meu perfil de Facebook pessoal. Hoje partilho-o convosco.

É um fenómeno curioso que existe um pouco por todo o mundo e no nosso país faz parte da cultura, da mesma forma que até à uns 50 anos era aceitável o marido dar uma sova descomunal à esposa só porque sim.

Curioso, porque ao invés de se educar para que as próximas gerações venham a tornar esse comportamento inaceitável, faz-se exactamente o inverso. É inaceitável entre crianças e adolescentes de idades próximas, mas um comportamento perfeitamente normal entre adultos. Não estamos a criar seres humanos tolerantes, mas sim cada vez mais intolerantes com cultura de quero, posso e mando, sendo que o resto não interessa.

Pode ser visto como mal formação moral e social, mas quando toca a atacar uma minoria profissional, racial, de preferência sexual, etc., já pode. Uns mais, outros menos aceitáveis, mas sobretudo, toleráveis. Mesmo que até esses grupos estejam a defender os seus direitos, mas basta que alguém se sinta incomodado e não goste que outros lutem, que já se pode criticar, fazer bullying nas suas mais diversas formas, cyber bullying, media bullying, bullying de acção directa, seja este verbal, seja por meio de gestos, bem como no próprio ambiente familiar, ou até em ambiente empresarial, motivando colegas e subordinados a desistir e aceitar o bullying do qual são vítimas.

Em vez de tentar ajudar as pessoas que estão a ser vítimas destes subtipos de bullying, pressionamos ainda mais para baixo, como que dizendo "enterra-te mais na ***** que não mereces viver nem estar aqui". Não se fazem críticas construtivas de modo a ajudar quem está numa posição diminuída a superar as dificuldades e avançar, dizendo "faz deste modo, para que não fiques para trás, eu ajudo-te a levantar". Esmagam-se egos mais pequenos que apenas tentam "passar as gotas de chuva", engrandecendo egos já de si gigantes e sobranceiros, como se fossem realmente contribuir para o bem de todos, quando apenas pensam no seu próprio ego.

São tempos estranhos e aos quais me custa habituar. Talvez por me terem sido incutidos princípios muito fortes e de ter atenção extrema ao karma. Talvez um dia isso venha a mudar, mas o que é certo é que ainda existe muita gente a tentar "sobreviver" a este tipo de comportamentos sem danos morais e emocionais, já que esses não estão escritos na testa...

José Carlos Amaral André.