Essa ansiedade que nos corrói

Sobre o controle que (não) está em nossas mãos

Estava ansiosa. Pedi pra Deus para acabar com minha ansiedade. Ouvi e, ao mesmo tempo, falei o que se segue no texto que, por fim, escrevi abaixo:

A ansiedade aparece rapidamente. Um breve pensamento que se transforma em uma série de elocubrações, boas ou más, mas que não nos permitem prestar atenção no que deveríamos estar prestando atenção.

Quando ela faz sua aparição, a primeira recomendação que vem à mente de um cristão é orar.

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. (‭Filipenses‬ ‭4‬:‭6‬ NVI)

Pois bem, oramos. Esperamos. A ansiedade continua ali. Os pensamentos pareciam ter ido embora, porém foram apenas momentaneamente calados.

“O que aconteceu? A ansiedade não deveria ter ido embora? A Bíblia não diz que é isso que devemos fazer para não andarmos ansiosos?!”

Bom, só existem dois comportamentos que permite que fiquemos ansiosos:

1. Não conversar com Deus.

O versículo de Filipenses 4:6, mencionado anteriormente, ilustra essa questão.

Precisamos dizer a Ele o que sentimos, o que queremos, o que esperamos. Isso nos tranquiliza pois sabemos que Ele está escutando nossas orações.

2. Não confiar em Deus.

Este segundo comportamento, neste caso que gostaria de apresentar, não é característico de alguém que não conversa com Deus. Pelo contrário, é característico de alguém que ama a Deus e mantém um relacionamento com Ele, permanecendo nEle. Deste modo, Ele permanece neste alguém.

Entretanto, não confiar em Deus é fruto de orgulho, de se achar em condições decontrolar sua própria vida. É fruto de acreditar que Deus, na verdade, não está escutando, prestando atenção e/ou considerando nossas orações. De acreditar que Deus não irá fazer o melhor. De se esquecer que Deus é soberano.

Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?
(Mateus 6:27 NVI)

Que ele seja soberano não quer dizer que não temos parte em suas decisões, afinal ele nos fez seres humanos, à sua imagem e semelhança, pensantes, com gostos e opiniões. Que ele seja soberano quer dizer que vamos trabalhar juntos dEle, mas o único Deus da dupla não somos nós. Precisamos nos lembrar que, no fim das contas, ainda somos Suas criaturas, apesar de sermos feitos Seus filhos.

Independentemente de qual resposta Deus dê a nossas orações, se não confiamos nEle, nunca nenhuma delas será suficiente:

• Se ele responder “Sim. Essa é minha vontade, tenho grandes planos nisso!”, rapidamente começamos a perguntar: “Quando? Amanhã? Está chegando?”, como o Burro, do Shrek. Ou perguntamos “Como? Será que vai ser assim? E depois isso acontece e aquela outra coisa também?”. Ou começamos a fazer planos e a tentar fazer com que as coisas aconteçam por nossas forças, pensando “O que eu devo fazer? Será que devo ir a tal lugar? Vou falar com fulano!”, como Sara fez ao pedir para Abraão ter um filho com Agar.

Falando em Sara, tenho duas coisas importantes a dizer:

Deus ao falar pela primeira vez com seu marido, Abraão, não disse: “Olá! Prazer, eu sou Deus! Eu sou o que sou, o que era, que é e que há de vir. Sei que parece estranho mas ninguém me criou. Sempre existi e criei tudo isso que você está vendo. Nem precisa me dizer seu nome, Abraão, porque como você já percebeu eu já sei porque sei de todas as coisas. Escuta aqui: tenho um super plano pra você. Então, sai da casa dos teus pais e vai pra Canaã. Vai amanhã cedo, de camelo. Vai indo em frente até você ver um Walmart. Então, vire à direita e pronto! Você chegou! Bom, você vai ter um filho. Ele vai te dar dois netos homens, Jacó e Esaú. Eles não vão se gostar muito mas, pra resumir, Jacó vai dar origem à nação de Israel e tal. Enfim! Em 2015, o primeiro-ministro de Israel vai ser o Benjamin Netanyahu. Ufa!” Não! Este NÃO é Deus!

Deus disse, sem se apresentar:

1 Então o Senhor disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.
(Gênesis 12:1 NVI)

“Eu lhe mostrarei”. Abraão saiu de seu conforto sem saber para onde ia ou quando iria chegar. Quanta confiança em Deus!

Por sua vez, Sara, ao saber que, já bastante velha, teria um filho, não confiou e riu. Ao tentar apressar de maneira natural a promessa de Deus, criou uma guerra que dura até hoje entre dois povos.

Essas duas situações são parte interessante de como Deus fala conosco e de como age em nossas vidas.

Às vezes, o que Deus nos diz parece uma piada, tamanha a ousadia de Seus planos. Mas devemos crer como Abraão.

• Se Deus diz “Não. Tenho planos melhores!”, perguntamos: “O quão melhores são esses planos? Vou gostar?”, blá, blá, blá, blá, blá!

Esquecemos que Deus é bom e que criou nossas boas qualidades. Se temos boas qualidades, essas mesmas boas qualidades, nEle, são muito mais intensas, obviamente. Isto é, se nós sabemos dar presentes bons para os que amamos, quanto mais Deus!

Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!
(Mateus 7:11)

• Se Deus diz “Espere. Não vou te responder agora.”, nos desesperamos. Continuamos a perguntá-lo sem sucesso.

A resposta vem novamente, dessa vez de maneira um pouco diferente: “Espere. Aprenda a confiar em mim. Você não precisa saber de todas as coisas.”

Deus não se importa em perguntarmos para ele sua vontade ou termos curiosidade sobre seus planos, seja referente ao o que, ao como, ao quando ou ao onde ele irá fazer. Abraão intercedeu por Sodoma e Gomorra e tirou suas dúvidas a respeito do juízo de Deus. Gideão pediu sinais a Deus. Davi perguntava constantemente a Deus o que fazer. Podemos fazer o mesmo, desde que tenhamos temor a Deus.

Aliás, Deus quer que o consultemos. Ele não está preocupado com quais, que tipo ou quantas perguntas temos a fazê-lo, mas sim se estamos perguntando ou não. Deus quer revelar sua vontade a nós, não é a toa que existem as profecias.

Havia um rei em Israel chamado Acazias que sofreu um acidente e ficou de cama. Ele consultou um deus estrangeiro para saber se recuperaria ou não a saúde. Então, a palavra de Deus veio a Elias:

Mas o anjo do Senhor disse ao tesbita Elias: “Vá encontrar-se com os mensageiros do rei de Samaria e lhes pergunte: ‘Acaso não há Deus em Israel? Por que vocês vão consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom?
( 2 Reis 1:3 NVI)

Vemos que o rei Acazias desagradou a Deus não porque ele tinha curiosidade, mas porque ele não o consultou.

Quantas vezes consultamos a nós mesmos, à internet ou a pessoas que não tem o Espírito Santo antes de tomar uma decisão em vez de consultarmos o SENHOR?

Entretanto, quando o consultarmos, precisamos aceitar as respostas que Ele nos der, nas doses e na velocidade em que Ele as quer dar. Talvez, Deus queira apenas que esperemos e confiemos, mesmo que não saibamos para onde estamos indo.

O querer controlar a própria vida é justamente o que Satanás ofereceu a Eva no Jardim do Éden quando a induziu a comer o fruto proibido por Deus:

Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão. Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal”. (Gênesis 3:4–5 NVI)

Querer ter o controle nas mãos, mais do que revelar nossafalta de confiança em Deus, revela nossa confiança em nós mesmos. E maldito o homem que confia no homem, isto é, em si mesmo.

Tentamos nos colocar no patamar do SENHOR. Achamos que se fizermos algo, o futuro poderá ser diferente.

É necessário que entronizemos a Cristo e não a nossos egos. Confiar em Deus demonstra nossa fé em eu caráter e sua boa, perfeita e agradável vontade.

Porque somos salvos, morremos com Cristo para vivermos com Ele. Se fazemos isso, devemos renunciar a todo pecado, especialmente ao desejo de controlar as circunstâncias. Só assim poderemos orar e, então, certamente não andar ansiosos.

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