Cheiro

O vento soprava forte e levantava folhas ao ar.
Eram levadas sem rumo num giro confuso e imprevisível.
Prenúncio de uma tempestade se formando.
Não tardaria até que a primeira gota tocasse o solo seco.

Algumas folhas caiam quando perdiam a força do vento.
Outras, continuavam a dançar.
Uma delas foi levada solitária até uma varanda.
Caiu ao lado de um vaso de planta, próximo de uma velha cadeira de maneira.
Nela, sentava uma senhora que observava as roupas esticadas no varal que se agitavam com o vento.

— Vem água! — Alguém gritou lá fora, na rua.

Levantou-se e foi recolhendo todas as roupas.
O som das gotas contra o chão harmonizava com os das janelas fechando.
As plantas nos vasos eram regadas.

A água da chuva já enchia a varanda.
A folha, descia boiando em direção ao ralo.

A senhora contemplava a tempestade através do vidro da janela.
E o cheiro de terra úmida trazido pelo vento purificava seu sentimento.

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