A Apple está acabando com o próprio ecossistema que criou
Não foi de uma hora pra outra que o iPhone se tornou uma ótima escolha para quem já usava Mac OS X; e a mudança também não era “óbvia" para quem já usava o Mac e precisava de um celular novo. Demorou alguns anos para que o computador de mesa e o de bolso “conversassem" direito através dos servidores da Apple — inclusive a concorrência corre atrás até hoje — ; mas a verdade é que a Apple tem trocados os pés pelas mãos na intenção de facilitar a vida do usuário comum.
E esse é um breve relato da minha experiência nos últimos meses.
Quem sou eu
Bom, eu preciso dar credibilidade à minha opinião de alguma forma: sou usuário do Mac OS X desde 2010; tenho um iPhone desde 2011; iPad desde 2013. Sou programador, bacharel em Ciência da Computação (olha a carteirada!). Um geek que não é fanboy da Apple, apesar de tudo.
Talvez você não saiba… mas antes dos serviços de streaming se popularizarem no Brasil, a Apple já havia lançado o iTunes Match: um serviço que colocava toda a biblioteca do iTunes na nuvem, tornando-a acessível em qualquer dispositivo iOS ou computador com iTunes. Sempre fui da “posse" e minha biblioteca, na época, girava em torno de 10 mil músicas — o que já ocupava um espaço considerável no meu disco rígido. O serviço foi uma ótima alternativa: eu mantinha uma cópia de todas as minhas músicas na nuvem, tinha acesso em qualquer lugar e ainda apagava do meu computador as canções menos ouvidas para liberar espaço. E tudo sempre funcionou muito bem, obrigado.
A chegada do Apple Music
Depois de meses de especulação, eis que o serviço de streaming da Apple é anunciado e logo entra no ecossistema numa das atualizações anuais. O hype é grande, afinal a Apple sempre entendeu de música. Bom, nem sempre, já que meses atrás a Apple entrou na casa de casa usuário e colocou um CD do U2 na prateleira…
Porém, estranhamente, a chegada do Apple Music no meu celular no meu computador fez desaparecer qualquer menção ao meu já conhecido iTunes Match. De repente, pareceu que minha biblioteca não estava mais na nuvem — apesar da assinatura estar em dia. E “sua assinatura do iTunes Match" não significa nada agora que temos o Apple Music. Na verdade, estava tudo lá… bem confuso. Nas preferências do iTunes, o serviço estava desativado. No telefone, todas as músicas compradas de repente apareceram seu eu pedir (inclusive o intrometido álbum de Bono e The Edge). Com uma atualização toda a música que eu tinha pareceu um caos — e continua parecendo, até eu conseguir colocar em ordem.
O “revolucionário" Fotos
Ok, um deslize da Apple… mas não. Resolvi pensar um pouco e lembrei do principal motivo que me fez abandonar completamente a gerência de fotos da Apple: o Fotos. E olha que a Apple entende de fotos como ninguém.
Tudo começa com o indispensável backup de fotos do iOS, aquele que salva coloca seus vídeos HD do iPhone em um reservatório de míseros 5GB gratuitos, ou seja, quase nada. E esse é mais um ops-out. Cansei de desativar essa facilidade do celular de amigos que só querem que “aquelas mensagens do iCloud cheio parem".
Isso é só uma ponta se você pensar que, de repente, se torna obrigatório sincronizar telefone e computador para ter uma biblioteca unificada. E eu guardava 70 gigabytes de fotos no meu computador. Quanto eu teria que pagar pra Apple me deixar salvar tudo no iCloud? Nem procurei saber: mudei pro Google Photos no Mac, no iPhone, online, salvei todos os gigas do HD e os DVDs com imagens da adolescência; e ainda faço propaganda pra todos os amigos.
Existem várias pedras no sapato
Música e fotos são duas frentes dos serviços da Apple, e no momento eu vejo muito mais problemas do que soluções. Mas tem mais: o Podcasts, por exemplo, deveria ser sincronizado com a bibliteca do iTunes, mas só apresenta problemas e é confuso. Ou, se você é desenvolvedor, que tal reconfigurar o Mac OS a cada nova atualização? E quem lembra do pacote iWork que ganhou uma famosa atualização sem metade dos recursos das versões anteriores?
Na tentativa de tornar tudo o mais “mágico" possível para o usuário e induzir a entrada em serviços pagos, a Apple tem bagunçado muito todo seu ecossistema. Apesar de imperfeito, muito do que queremos está lá e a ideia básica deveria ser sempre aprimorar, não trocar as funcionalidades.
Apple, assim fica difícil te defender.