Dezesseis
Eu chego em casa, tiro a maquiagem, pego um suéter qualquer e respiro fundo. Preciso escrever sem parar, por uma noite inteira, como tomar um porre. Preciso me afogar em palavras, porque não há nada mais salvador do que isso.
Olho em volta. A noite foi boa e para guardar na memória como a minha primeira comemoração de aniversário fora do país, mas sinto que ainda não conversei com uma pessoa muito importante sobre o peso dos dezesseis — eu mesma.
Esse vai ser meu ano, mesmo que eu precise de muito mais fôlego do que eu possa imaginar. Levo com fé tudo que já aprendi e junto com as amizades que 2017 já trouxe, sinto que o resto da história vai se desdobrar mais facilmente por aqui.
Não me arrependo de nada e sei que nenhum sentimento é definitivo — com excessão do amor bom que corre nas minhas veias desde sempre e da liberdade que já me cerca.
Amanhã acordarei com 16 anos, olheiras e umas paranóias, mas eu sei que ainda tenho muita estrada pela frente.
A gente escreve a própria história.
