eu

sempre começo meus poemas enunciando

meu lirismo

com esse maldito

pronome

mas meu amor,

meu egoísmo só mora nesse pequeno ato.

por você eu caminharia

pelas ruas geladas desse país frio

vestida com nada além

de saudade

e amor

te beijaria lentamente

como você nunca descobriu

que eu beijo.

eu abraçaria as suas feridas

de menino tímido

com olhar melancólico

te mostraria as minhas cicatrizes

até você descansar a cabeça loira

no meu peito

pois somos iguais, olhos melancólicos.

te contaria da minha saudade

essa palavra que só existe na minha língua

sim

a língua que você não entende

te explicaria que você não vai me achar

em nenhuma outra mulher

e envolveria seus sonhos com minhas pernas cansadas

de tanta espera.

eu te encheria de mais livros do Hemingway

e colocaria rock anos 90

um dos nossos pontos de paz.

eu te deixaria envolver os dedos

na bagunça do meu cabelo

e rir das minhas piadas ruins

enquanto eu danço

só pra você

é por você.

sou leal

aos caminhos que teus dedos jamais percorreram

às palavras que você jamais disse

a tudo aquilo

que nunca vivemos

mas que eu bordei muito fundo

para ir embora, sonho bom.

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