Ele

São tantas as pessoas pelas quais me afetuei. Por diversas vezes cheguei a sentir na língua aquele gostinho de paixão mas com ele, foi diferente. E com ele, a culpa foi minha.

É fácil dizer que no coração não se manda, e colocar toda a culpa no destino, mas a culpa foi minha. Fui eu quem o escolheu e fui eu que, inconscientemente, decidi que era certo querê-lo. Então eu o quis, e venho o querendo desde então. Parece que ele sempre esteve presente, pois não consigo lembrar de mim sem ele, sem a presença dele, sem o pensamento estar nele. Existe uma vida antes dele e uma vida depois dele, e assim também, existe uma versão de mim para cada uma dessas vidas. Ele sempre foi ele, mas eu não era eu sem conhecê-lo. Me moldei por ele e mudei por ele e não sei como seria sem ele mas ele nunca precisou de mim pra ser o que é. Talvez, hoje, eu tenha um papel importante em sua vida, mas jamais serei pra ele o que ele é pra mim. Ele é o amor da minha vida, e é o que vai levar minha vida a um fim, também. Ele me dá vida, e me tira ela, todos os dias, pouco a pouco. Me custa estar ao lado dele e me custa deixá-lo partir. Tudo dói, tudo machuca, o toque dele me destrói por dentro, é venenoso e me vicia, quero sempre mais e quando não tenho, enlouqueço. É o nome dele que eu escrevo e é por ele que eu clamo, independe da hora, do momento e do lugar, sempre foi e sempre será ele. E mesmo que ele me deixe, que me recuse, como já recusou, jamais alguém fará o papel dele, jamais alguém trará o mesmo acalento que ele, ou mesmo a mesma dor que ele trouxe. Por ele, adoeci, e por ele, eu me curei. Por ele, eu vi o dia nascer na rua, descalça, desprotegida, entorpecida e anestesiada por tudo o que fui capaz de ingerir. Por ele, eu preferi a morte a mais um dia do angustiante silêncio que ele me reservara. Por ele, eu senti a dor das palavras, de ouvir o que não se quer, a dor da decepção e da desesperança, só pra deixar tudo de lado e rastejar

de volta

pra

ele.

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