Quando cai a noite, só queremos nos aninhar e descobrir a calma de um sono tranquilo mas tudo que nos vem à cabeça, nos ameaça a paz. Quando amanhece, a loucura da rotina nos assola e nos impede de permanecer serenos; é necessário nos deixar levar pelo rítmo incessante do dia-a-dia. Entra dia, sai dia e em nenhum deles, nossa cabeça pode ser considerada sadia, nem mesmo organizada. É tudo um avoroçado, cheio do que pode e do que não pode ser guardado, mas guardamos sem distinção. É tudo demais, pesado demais, irritante demais, preocupante demais. Desnecessário. E mesmo assim, permanentemente presentes em cada ação e reação que a vida proporciona. E são reações demasiadas pra ações evitadas por covardia e, vez ou outra, por exaustão mesmo. Exaustão essa que parece ser o próprio significado da vida ou, assim por dizer, a sensação que mais se faz presente, todo o tempo, o tempo todo. Até porque, é chegado o ponto em que viver é exaustivo, respirar é exaustivo, manter-se nos trilhos é exaustivo. Abrir os olhos e manter-se confiante de que aquilo é o correto e que viver todos os dias, da mesma forma, seguindo a mesma rotina e aceitando as mesmas condições que o destino impõe, é extremamente exaustivo e, exaustos como estamos, caminhamos, um a um, par a par, trio a trio, todos os dias, pelo mesmo caminho, pela mesma avenida, parando sempre no mesmo farol que se encontra vermelho todo santo dia e permanecer ali, durante os segundos que o farol leva pra abrir, contemplando o belo dia, que não temos tempo e nem disposição pra desfrutar.
