A banana é revolucionária

Fosse deus um capitalista, não teria inventado a banana. A banana é certamente a obra prima de deus. É a prova de que Papa Francisco está certo e deus está lutando contra o capitalismo.

Veja bem, a fruta tem tudo que o capitalismo pós-moderno busca vender em um produto: é prático, nutritivo, embalagem bio-degradável e sem glúten. Consigo imaginar perfeitamente o anúncio na TV: mulher forte e independente anda na rua, cabelos ao vento, conversa com a amiga: “não saio de casa sem meu snack, ele é tão prático, mata a fome na hora da tarde. E o melhor, não fere o meio-ambiente”. No que a amiga responde “não posso acreditar. Preciso incluir esse hábito na minha vida”. A primeira tira uma banana da bolsa. Logo e slogan na tela. Ao final, a casca de banana no canteiro do prédio corporativo. Adubo natural. O briefing dessa campanha é o sonho de consumo de qualquer agência de publicidade.

Mas deus é subversivo, vocês sabem. Gosta do caos. Para evitar que a banana virasse um produto capitalístico logo inventou o dito popular: a preço de banana. Oras! O sistema não consegue vender um produto tão descolado com esse slogan. Nenhuma palavra em inglês, nenhuma abertura para um trocadilho. A banana é isso: popular. Mas não é um popular Havaianas, é o popular edição única, democratizada.

Não bastasse, a banana-capitalística teria que ser personalizada. O apelo do produto único, individual, que reflete seu dono, que é assim, singular, é o que vende no momento. Banana rosa, para combinar com seu iPhone 8. Banana edição limitada banhada em ouro. Banana design minimalista, fundo branco e uma única pinitinha preta. E os sabores? Um produto de tanto sucesso precisaria diversificar os sabores. Banana sabor kiwi. Banana sabor suco detox. Banana sabor torta de maça da vovó — a nostalgia tem funcionado muito na publicidade.

Os problemas do marketing não param por aí, o fornecimento de banana é inesgotável: não tem tempo ruim pra bananeira. Quando foi que tivemos a última crise de abastecimento de banana nas feiras e supermercados? Não é como a Nutella, que pode usar de um desastrinho natural pra triplicar o preço, pois a avelã está em falta. Não. A banana está ali: na bananeira mais próxima de você. E se não tem bananeira, poderia ter. Bananeira é o fornecimento de café da manhã, lanche da tarde e sobremesa a preços módicos.

Enquanto escrevia esse texto, comi uma banana. Saio agora para andar de bicicleta com a certeza de que não terei caibra. Suplemento alimentício para atletas em embalagem biodegradável edição ilimitada.

Banana é bom demais, valeu deus.