Sobre muros, sociedades e a repetição da História

No ultimo domingo, 10 de abril, um grupo de presidiários foi escalado pra montar uma estrutura de ferro em linha reta dividindo ao meio a Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Segundo as fontes oficiais, o objetivo é separar os lados pró e contra o processo de impedimento da atual Presidente da República, e esta seria a solução para se evitar brigas e mortes em dias de manifestações. Imagens da estrutura já montada no local tomaram as redes sociais, no que passou a ser chamado de “Muro do Impeachment”.

Quando li essa notícia, não tive como evitar que logo me viesse à mente uma das minhas experiências de viagem.

Há pouco mais de três meses estive em Berlim, onde tive a oportunidade de visitar museus históricos e espaços públicos marcantes de uma época sombria da Alemanha que, embora relativamente recente, foi felizmente superada.

Hoje, no século XXI, a capital alemã não apenas soube se reconstruir após as guerras, como fez muito além disso. Tornou-se uma metrópole avançada, referência mundial em urbanidade e qualidade de vida, expoente de vanguarda artística e cultural pós-moderna na Europa.

Infelizmente fiquei lá por pouco tempo, mas me identifiquei tanto com o que vi, que prometi a mim mesmo que voltarei para aprender mais com aquilo.

É evidente que sei que a Alemanha não é perfeita e também possui problemas — assim como qualquer país do mundo tem os seus— mas a simples observação da experiência pessoal que eu tive lá é evidenciada por uma diferença simbólica essencial em relação ao deplorável futuro que vejo acontecendo e que me distancia a cada dia mais desse Brasil: em Berlim, ao caminhar pela cidade, se percebe claramente que o Muro é uma coisa do passado.

As partes de concreto que sobraram do Muro de Berlim se tornaram uma atração turística simbólica que representa os vergonhosos resquícios de uma mentalidade de divisão e polarização falida que obviamente não deu nem nunca dará certo. E o motivo é simples: a falsa dicotomia e a crença no maniqueísmo político não são capazes de solucionar os complexos problemas de uma sociedade.

Alguns países caíram no erro mas já voltaram e desenvolveram um novo caminho baseado no diálogo, e em outros as pessoas já aprenderam com o exemplo alheio — ou com o seu próprio — e não cometerão o mesmo erro.

Enquanto isso, por aqui, a mais nova moda é construir muros - como esse que fizeram em Brasília. Um monumento que transcende o simbolismo e se torna uma prova literal e concreta de uma sociedade atualmente pautada pela intolerância coletiva, o ódio a posições divergentes e a simplificação viciosa da narrativa.

Para reflexão, concluo deixando apenas a citação de Edmund Burke: 
“Aqueles que não conhecem a História estão fadados a repeti-la.”

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