O fim do trabalho?
O futuro é um feriado… ou não.
Estamos vivendo uma época sem precedentes, não pera… Quantas vezes você leu isso? Mesmo quem não é aficionado nos avanços da ciência e da tecnologia, não aguenta mais ler textos com esse tipo de clichê, e não esse não será mais um desses. Entretanto, isso não deixa de ser uma verdade.
Por exemplo, os sucessivos avanços na tecnologia da informação permitiram que isto fosse possível: carros autônomos.
Sim, o carro do Google, aquele você pode ter cansado de ver por ai… Mas, calma isso é pra uso civil, vamos a tecnologia militar:
No vídeo acima, temos uma demonstração de em que nível se encontram os veículos autônomos dos militares americanos, não é muito surpreendente se você se lembrar que toda a pesquisa inicial dessa tecnologia foi financiada pela DARPA desde 2004. Mas, enfim… A ideia deles é utilizar essa tecnologia no campo de batalha o quanto antes, sendo que isto é um dos passos cruciais para que atinjam a automação quase total do contingente militar, isto é, a substituição dos humanos pelas máquinas na maior parte das atividades, o que salvaria a vida de dezenas de soldados… blá, blá, blá.

Sim, ROBOCOP estava certo… E sim, o Padilha falhou miseravelmente em fazer uma crítica a isso, que ele continue assim, tentando fazer críticas sociais que viram excelentes filmes de ação.
Bom, habemus veículos autônomos, o exército americano quer automatizar a guerra, mas… Oras, o que eu tenho a ver com isso? Calma, que o conto de terror dessa nova era da automação, tem até nome (ao menos em inglês): computerization.
Tá, mas, qual a diferença disso pra a automação? Não é a mesma coisa? CALMA. Enquanto a automação tradicional pode ser corretamente descrita nessa imagem:

A nova era pode ser representada dessa forma:

Cadê os humanos? Isso, eles são cada vez mais desnecessários, pois, nos tempos de Chaplin não existiam computadores, o que consiste no primeiro grande diferencial, e o mais óbvio, afinal está no nome (computerization, lembra?). Mas, outro aspecto crucial desse novo paradigma (nossa que palavra bonita) é o fato de que agora podemos automatizar tarefas que supostamente não poderiam ser automatizadas, pois, necessitavam do incrível engenho humano, da nossas habilidades únicas e especiais que nós tanto gostamos de nos vangloriar…
Afinal, as máquinas são burras, ou ao menos eram, e por este motivo apenas o trabalho manual, físico corria o risco de ser suplantado pela automação. Entretanto, a vida é uma caixinha de surpresas, pois, quem diria que uma atividade tão complexa como dirigir poderia ser automatizada? Se isso foi o que mais pode ser?
Vamos a alguns exemplos:
Robô que aplica anestesia em pacientes é testado na França
Computador substitui jornalista na geração de notícias
E o melhor, ou pior, até uma das coisas mais humanas que é a capacidade de debater, a IBM conseguiu replicar com seu supercomputador: Supercomputador Watson agora pode participar de debates sobre qualquer assunto
Meu deus, e agora?
Você agora pode estar pensando: FODEU, uma máquina vai me substituir amanhã. CALMA PORRA, também não é assim, né?
Relaxa, que primeiro, não é só você que se fodeu, lembre que são 7 bilhões de pessoas nesse mundo e a riqueza se concentra na mão de apenas 1%. O que nos leva a outra parte interessante de tudo isso… NÚMEROS!

Meu deus, o que esse gráfico está fazendo aqui? Você é louco, come merda? É isso? Não, meu amigo, eu não como merda, pelo menos ainda não.
Enfim, eu divago demais… O que importa é que esse gráfico é da teoria do Pico do Petróleo. Ele tentar salientar um fato: De que quando atingimos o topo da produção de petróleo, será cada vez mais custoso extrair este recurso, sendo que toda a economia global irá quebrar antes que o ouro negro acabe, simplesmente que em determinado ponto mesmo que exista, o custo para a extração é tão alto que supera o custo do produto em si. Isto demonstra que não é preciso que um produto essencial deixe de existir para impactar a sociedade, basta apenas que ele se torne relativamente escasso. Isso é básico em economia, quem duvida que se lembre das recorrentes altas dos preços do tomates. Eles não sumira, só se tornaram escassos, o preço subiu, e isso foi o suficiente para impactar a família brasileira.
PORRA, MAS, O QUE TEM A VER… Olha, você tem que ter mais fé em mim, eu vou chegar lá, você leu até aqui, agora é tarde demais, vamos lá.
Acontece, que de modo similar, não precismaos de robôs extremamente complexos para que existam impactos reais na sociedade, pois, nem todos os empregos precisam ser automatizados, tudo é uma questão de QUAIS e QUANTAS PESSOAS serão afetadas. E vale ressaltar, que as atividades que são de mais difícil automação, são os setores que justamente tem menos pessoal proporcionalmente. Afinal, quantas pessoas são empregadas na indústria de base e quantas são empregadas na saúde? Compare a quantidade cirurgiões com a quantidade caminhoneiros.
Por isto, nos últimos tempos tem surgidos notícias como


Mas, o que está causando isso?
Além dos avanços tecnológicos, este problema como outros, é causado por diversos fatores, as máquinas obviamente trazem inúmeras vantagens óbvias se comparados aos seres humanos, como trabalhar ininterruptamente, não se cansarem, não fazerem greve e por ai vai. Porém, essa é apenas uma parte da equação, digamos que não são apenas os requisitos do poderoso e maligno burguês (meu deus, esquerdizaram o texto) que influenciam a tomada de decisão da substituição dos humanos pelas máquinas, existem questões transcedem o óbvio. Por exemplo, a nossa sociedade de consumo requisita cada vez mais a padronização e a excelência, e ao mesmo tempo deseja o maior número de produtos ao menor preço possível, e infelizmente utilizando pessoas, torna-se possível atender a um conjunto tão grande de variáveis, o que tornam as máquinas o único meio viável. Em adição a este outro aspecto que é ignorado por algumas pessoas, temos outro PEQUENO GRANDE DETALHE, os salários mínimos…
Os nossos amigos libertários gostam sempre de apontar uma realidade, de que a própria existência de um salário mínimo expulsa as pessoas menos qualificadas do mercado de trabalho, pois, com um salário cada vez mais alto, há cada vez mais uma busca pela excelência. Uma vez que, enquanto antes o maligno burguês podia contratar dois que faziam o serviço de um, hoje ele apenas pode contratar um, então, esse um tem que fazer o serviço bem feito. Uma vez que o salário mínimo sobe cada vez mais, ele empurra ainda mais a possibilidade de adoção de um trabalhador que é ainda mais eficiente, isto é, a máquina.
E não é só isso… dependendo dos custos com pessoal, se eles atingirem um determinado patamar, exceto por meio de subsídios ou demais artimanhas de políticas, torna-se cada vez mais lógico a substituição do homem pela máquina, pois, por mais caro que seja o equipamento, os custos em aquisição e manutenção findam sendo baixos, pois, são menores que os custos com pessoal no mesmo período, além de que ainda existirão ganhos de produtividade, que podem extrapolar a estimativa mais conservadora, afinal, máquinas não fazem greve.
E você meu caro leitor, pode estar pensando: Ah, mas, isso é culpa do capitalismo. Se fosse no comunismo…
Pois, é. Mas, por enquanto ainda vivemos no capitalismo. Por isso, vamos prosseguir, ok?
Tá, mas dizer que é o fim do trabalho, não é um pouco demais?
Sim, o que eu realmente acredito é que no melhor dos cenários, toda a massa que perderá seus empregos, consiga migrar para novos postos de trabalho, e que apenas o trabalho como o conhecemos irá mudar. No futuro, talvez tenhamos mais trabalhos sedentários, isto é, em que você fica sentado o dia inteiro, sobretudo apenas supervisionando o que as máquinas estão fazendo ou dando novas ordens.
Talvez, no futuro todos seremos como George Jetson (da imagem que abre este texto), pressionaremos um botão e apenas assistiremos as máquinas fazerem todo o trabalho.
O trabalho no futuro seria muito mais tranquilo e calmo, e o stress seria pra poucos.
Esse é o único cenário possível? Não, quanto as outras possibilidades… isso fica para uma outra oportunidade.