É 2018, mas pareceu 2016. O final do filme se repetiu e o Magnus deixou a ACBF com o vice mundial.
Em 2016 no Qatar, eu assisti ali atrás dos gols, convivi durante uma semana nos bastidores do Intercontinental de Futsal. Naquele ano, o Magnus passou pela a ACBF na decisão e conquistou pela primeira vez o título mundial, com um 1x1 no tempo normal e 3x2 na prorrogação. Dois anos depois, o destino colocou os dois brasileiros na decisão outra vez, agora na Tailândia, e de novo, deu Magnus, 2x0 ainda no tempo normal.

Em comum nos dois jogos é que a ACBF chegou como favorita de forma inquestionável e justa. Primeiro pela campanha que em 2016 teve adversários muito mais fortes que os atuais (isso é assunto para outra hora). Segundo pelo conjunto da equipe, muito forte e bem trabalhado por todos do zelador ao fisioterapeuta, assessor de imprensa. Terceiro, porque era um desejo incontrolável de fazer história. Nesta atual, os adversários não foram primores em qualidade, exceto o Barcelona na semifinal, e que a ACBF foi superior. As credenciais se justificavam.
Pelo lado do Magnus, o mesmo roteiro. Um time “capenga” nas competições iniciais, na Liga Nacional e outras. Um conjunto que mostrava e expunha problemas técnicos e individuais. A chegada na Tailândia tinha o objetivo de chegar na semifinal e assim o fez, vencendo o Barcelona na fase de classificação. Então, passou a acreditar, quando teve o Chonburi na semifinal, sofreu um bocado, mas venceu e foi para a decisão. O discurso e entendimento de todos era: A ACBF é mais time, mas nós sabemos jogar final e ela se ganha.

E foi justo o que aconteceu. O primeiro tempo foi equilibrado como era esperado. A ACBF chegava e parava em Tiago ou na maldita trave, enquanto o Magnus buscava aproveitar erros e eles apareceram, mas o gol também não saiu. Era um jogo tranquilo, sem troca de farpas, quase uma ação entre em amigos de final de ano.
O cenário mudou no segundo tempo. Mudou quando Leandro Lino surgiu na frente de Gian e executou: 1x0. Ali, naquele momento, o título já era do Magnus, mesmo que se tinha mais de 15 minutos para serem jogados. Era a mesma situação lá do Qatar, o Magnus travando o jogo, se defendendo com unhas e dentes e sabendo se utilizar de forma única, como maestros do psicológico ou falta dele, do lado da ACBF. Estava no olhar nos jogadores gaúchos o desalento, estava no olhar nos paulistas, a gana total. Gana essa que vem da personalidade forte (para deixarmos assim) dos mentores do time, Rodrigo e Falcão. O primeiro tinha jogado pouco tempo, mas depois, esteve muito em quadra. Um dentro e outro fora, abusaram da falação, tiraram do sério os adversários, como foi no Qatar.
Mesmo a ACBF nervosa, em ruínas psicológicas foi em busca do empate, assim como em 2016. Felipe Valério era a única esperança e de novo, Tiago e a trave salvavam. No fim, o golpe final de Marcel, 2x0. Um título ou melhor, um bicampeonato justo, pois na hora H, foi muito melhor que o adversário mesmo que a realidade não seja assim.

O incrível disso tudo é que Kevin, que em 2016 estava no lado laranja, ao se juntar com o trupe do Magnus, sabia o que era necessário além da bola para vencer. Marlon, Felipe Valério e comissão técnica da ACBF, viu o erro se repetir e não souberam mudar o curso da história.

A provocação de 2016 nos bastidores, as quais foram pesadíssimas e até imorais, talvez tenham aparecido outra vez ou não. Só quem está lá na Tailândia poderá dizer. Para o torcedor do Magnus, o orgulho aumenta, o time crescerá para os próximos passos nacionais, os patrocinadores de suspeitos pelo rendimento volta a acreditar. E para os laranjas, o orgulho machucado mais uma vez, mas que precisa se tornar insatisfação e que isso passe para um grupo que tem bons jogadores, alguns utilizados outros não, alguns que tem função especifica e não conseguem executar.
Questionamentos a serem levados para o futuro, porque o filme de 2016 do mundial se repetiu em 2018, o raio caiu no mesmo lugar. Resta saber se o restante da temporada do primeiro ano será igual agora, pois se isso acontecer dias nebulosos podem voltar para um ambiente que navegava em mares tranquilos.
PS: Ricardinho, o técnico do Magnus, é o primeiro a conquistar o mundial como atleta e jogador (2016 estava em quadra). Ele que começou a carreira esse ano, sem cursos específicos, ainda no estilo boleiro, mas que levantou taça, isso é um fato. Há quem condene isso no futsal ou futebol de campo, mas contra fatos (taças) não há como sustentar argumentos.
