Urbanidade
Planejar para uma maior urbanidade é abraçar a diversidade e entender que o espaço urbano nada é sem o usurário. Dá-se demasiada importância para a forma e esquece-se da importância do usuário e a sua relação com a forma. Cidade deveria ser sinônimo de vida, não de amontoado de prédios no qual a vida existe no espaço que sobra. Planejar para uma maior urbanidade significa entender que a cidade e as edificações vêm em segundo lugar, já que estes devem atender as necessidades e anseios de seus usurários. Significa que devemos desprender uma importância maior para os espaços vazios e olhar para eles não como um vazio, mas sim como articulador da interação da vida com a forma, e talvez por isso a arquitetura esteja extremamente relacionada ao urbanismo: porque ao projetarmos um edifício também dizemos como as pessoas devem se comportar em seu entorno, porque na cidade tudo é de todos e a construção material pode até ter um dono, mas seu signo é de todos. Por isso é fundamental ao arquiteto e urbanista saber o que quer para que não tenhamos cada vez mais cidades com espaços inóspitos (sem urbanidade).

Para entender os problemas da cidade do século XXI, precisamos voltar ao século passado: ainda somos modernos em um mundo cada vez mais contemporâneo e não fomos capazes ainda de nos libertarmos da dependência que a forma tem de seguir a função. Conceitualmente, a tipologia está morta, porém não se consegue traduzir isso nas cidades e isso tem sido a maior dificuldade encontrada para projetar espaços para uma maior urbanidade.
De certa maneira, acaba-se esquecendo que somos humanos e vivemos em uma escala reduzida. Projetamos espaços que de um avião parecem magníficos, projetamos skylines fantásticos e incríveis rodovias interestaduais, porém não conseguimos projetar espaços que façam com que a cultura urbana respeite a diversidade da cidade heterogênea, na qual o convívio com o diferente seja enriquecedor. Continuamos a projetar cidades passivas mesmo sabendo que precisamos de cidades ativas, toda essa pluralidade acontece na escala humana, então, enquanto continuarmos a projetar espaços urbanos na escala da máquina, não teremos urbanidade.
