Catarse

psic: liberação de emoções ou tensões reprimidas, comparável a uma ab-reação*

Hoje eu não quis te pegar no colo, ou afagar suas incoerências com o carinho de outro dia. Não pareceu certo, nem justo. Hoje eu quis desfazer o que tinha feito no impulso de uma palavra, que saiu meio sem jeito — com tantas intenções vislumbradas nas próximas páginas, ainda em branco. Erradas, que se pontue. Hoje eu não quis ser quem eu tinha a intenção de ser ali, no princípio, talvez. Vou deixar isso aqui, do ladinho, depois cê volta pra buscar.

Acho que virei a curva pro lado oposto, e percebi tarde demais.

Sem muitas meias palavras. Me dói, sim. Entenda, eu gostava delas. Gostava do que não era dito, e sim insinuado e então complementado com a despretensão de um toque qualquer. Nos cabelos, nas pernas. Hoje eu não quis conduzir a peça, eu ocupei minha cadeira e esperei pra ver que espetáculo se desenrolava. Mas ainda não sei direito o que vi; parecia o epílogo da história, que nem vivemos, mas pareceu também o prólogo daquela outra, que conhecemos tão bem.

Ah, me perdoe. Eu me perco com as palavras, e não só com as curvas.

Hoje eu não quis cuidar dos seus humores. Então, entenda, nesses dias é difícil lidar com os seus movimentos reversos. Difícil entender onde é raso, e onde não, quando parece que cê flutua tão facilmente na borda interna de mim. Isso faz sentido, pra você?

Às vezes eu prefiro que não.

Acho que esgotei as formas que conhecia de revirar isso aqui. Vou deixar ali em cima, do ladinho; cê volta pra buscar, se quiser?

Às vezes, prefiro que não.


*eu não entendo de psicologia; mas vi poesia nisso.