A mercantilização na era do futebol moderno

Antes de tudo, quero deixar claro que aqui não discutiremos as medidas impostas pelo Ministério Público que afastam a população, ainda mais, dos estádios. Nem mesmo a postura dos torcedores, que é de preferência dos mesmos, a como se comportar ou agir nas arquibancadas, seja de pé ou sentado. O assunto tratado abaixo será, unicamente, em como o futebol virou moeda e tudo a sua volta se tornou mercadoria.

A popularização do esporte e o início dos patrocínios

O capital esportivo é recorrente desde sempre no futebol. Antes da sua profissionalização, os donos de fábricas ofereciam regalias aos jogadores quando obtinham sucesso nos jogos que disputavam, como o prêmio por vitória – o popular 'bicho’, atemporal em qualquer período do futebol -, trabalhos mais leves e até dispensa dos treinos.

O profissionalismo só veio à tona quando a Juventus, da Itália, decidiu pagar para um atleta sair de uma agremiação e juntar-se à sua. O caso abriu precedentes até à justiça, porém o tribunal italiano deu ganho de causa à Juve. De modo semelhante, as transações deram início por toda Europa, se alastrando pela América e originando a era profissional no futebol.

Os primeiros indícios de uma relação clube-patrocinador só veio a aparecer no ano de 1982 quando o Conselho Nacional de Desportos autorizou que os clubes estampassem patrocínios em seus uniformes de jogo – o que até então era proibido. A equipe pioneira foi o Democrata, do interior de Minas Gerais, quando logo anunciou sua relação com a empresa de material esportivo Equipe. O valor era de Cr$ 500 mil, equivalente a cerca de R$ 19 mil. Hoje, a realidade do time é outra, assim como a de muitos clubes espalhados pelo Brasil.

"É impossível manter o elenco profissional. O Democrata é clube centenário, de tradição, de camisa, mas as receitas são mínimas. Com o aluguel do campo de society e com a academia que nós temos não conseguimos cobrir a despesa fixa de manutenção do Recanto do Jacaré, que é o nosso Centro de Treinamento", conta o atual presidente do Democrata, Emílio Vasconcelos, em entrevista ao UOL.

O futebol como marketing (mas só para os privilegiados)

Desde o primeiro patrocínio na década de 80 até os dias atuais, essa relação de clube e empresa foi fomentada cada vez mais. Aliás, o marketing nunca esteve tão presente no futebol como hoje. É compreensível, visto que essa harmonia estabelece benefícios para ambas as partes envolvidas. A exploração da mercadologia esportiva é caracterizada pela principal fonte de renda dos clubes, além do mais, esses mesmos clubes são responsáveis pela supervalorização da marca.

Sem pensar duas vezes, o maior exemplo atual desse namoro-capital-esportivo é o Palmeiras com a empresa de crédito pessoal Crefisa. No início deste ano, as partes envolvidas firmaram um novo contrato de dois anos com o valor podendo superar a marca de R$ 200 milhões. Somente livre, são R$ 72 milhões no primeiro ano e R$ 78 milhões no segundo, à parte as negociações e compras de direitos pelos jogadores. Muito dinheiro? Na verdade “não”. Em 2014, antes de patrocinar o Verdão, a Crefisa fechou o ano com pouco mais de R$ 750 milhões de lucro. Após entrar como marca nos uniformes alviverde, em 2015 foram arrecadados mais de R$ 1 bilhão líquido, certamente impulsionado pela exposição palmeirense.

Contudo, não é somente a marca estampada que os clubes buscam para angariar suas receitas. Na temporada 2004/05, o Real Madrid arquitetou um elenco fantástico, que logo foi batizado de Galáticos. O time merengue desembolsou cerca de €35 milhões para contratar o astro David Beckham. Um mês após a sua saída, a revista Forbes noticiou que durante os quatro anos em que o jogador vestiu a camisa do clube espanhol, o inglês foi responsável pela venda de €440 milhões em camisetas e produtos licenciados, um ganho de 137%. Trazendo essa mercadologia para o Brasil, o Corinthians, ao contratar Ronaldo Fenômeno, arrecadou em apenas uma tarde mais de R$ 13 mil com a venda de camisas na loja oficial do clube, além de atrair diversos patrocínios pontuais e originar o programa Fiel Torcedor, tornando-se outra fonte de arrecadação do clube.

A ambição do homem é tão grande no meio futebolístico que através do bom marketing até uma frase é capaz de virar slogan e, consequentemente, marca para o clube. Quando o Vasco foi rebaixado à segunda divisão nacional em 2008, o time carioca não demorou muito para se mexer e divulgou a campanha “O sentimento não pode parar”. Em cima disso, foram criados novos produtos carregando a insígnia, convertendo em um Eldorado ao time vascaíno, já que a fase naquela época não era das melhores. A identificação foi tão grande que até hoje a frase é estampada nos produtos e, quando usada, vira menção ao Vasco da Gama. Nas arquibancadas, a torcida adotou e entoa o cântico que carrega o nome da campanha, com uma música adaptada da obra “Anna Júlia”, da banda Los Hermanos.

Não obstante pelos extravagantes valores dos patrocínios empresariais, os times investem se absorvendo da paixão dos torcedores e geram sua própria marca. Programas de sócio-torcedor, tour pelo estádio, escolas de futebol oficiais, ingressos caros e a venda de centenas de produtos licenciados complementam a renda tornando a arrecadação cada vez maior.

Os “donos” no futebol

Engana-se quem pensa que as empresas serem donas de times de futebol é coisa recente. O impacto delas neste meio sempre foi tão forte que foram capazes de estimular a profissionalização do esporte no Japão. Em 1993, com a formação da J-League, os fabricantes de carro acabaram se transformando em equipes que disputam o campeonato até hoje. O Mitsubishi Heavy Industries, Nissan Motors, Mazda SC, Yanmar Diesel, Honda Motors, Yamaha Motors, Toyota e Kawasaki Steel compunham a série de indústrias que permeabilizavam suas ações através do futebol. Vale observar que seis deles disputam a primeira divisão – não mais com os mesmos nomes -, e cinco já foram campeões nacionais.

Na Europa, esse conceito é mais do que firmado. A Inter de Milão é dos chineses. Manchester United dos americanos. Chelsea do bilionário Abrahmovich. Manchester City dos sheiks árabes. PSG de um príncipe do Qatar. Os clubes europeus investem a rodo e trabalham em cima da sua marca em todo o restante do planeta. De modo simultâneo, o mesmo acontece na América, mas de uma maneira mais saudável.

Devido à falência da NASL, a National American Soccer League, causada pela gastança sem moderação dos times e ausência de planejamento estrutural, a MLS pensou duas vezes antes de se denominar uma liga futebolística em potencial. Até porque ninguém quer passar pelos mesmos tormentos que o New York Cosmos. Se empolgando no projeto dinheiro, o clube contou com jogadores renomados como Pelé, Franz Beckenbauer, Giorgio Chinaglia, Carlos Alberto Torres e Johan Cruyff. A gastança veio enfim refletir em conquistas e o clube se tornou a franquia mais famosa e vitoriosa da NASL. Anos depois, em recessão econômica, a competição faliu com prejuízos milionários.

O que difere hoje o investimento americano do europeu é o modo como é realizado. Há pessoas com alto poder financeiro dos dois lados, porém os times da MLS se sustentam unicamente para lucrar de forma sustentável, não ser fantoches nas mãos de bilionários. De uma forma resumida, os clubes que disputam a liga são sócios dela. Ou seja, se uma franquia quebrar, prejudica todas as outras. Com essa concordância entre as agremiações, a liga impõe algumas exigências entre elas, como respeitar um teto salarial, algo que é comum nas ligas americanas, não se restringindo somente ao futebol.

No Brasil, esse conceito assombra desde os anos 90. Um dos casos de maior destaque foi a relação do Palmeiras com a Parmalat. A parceria rendeu ao clube alviverde a Taça Libertadores, uma de suas maiores conquistas na história. Por ter uma trajetória já trilhada no esporte, obtendo suas receitas e com o apoio dos torcedores, o clube possuiu a capacidade de se manter vivo mesmo ao fim da parceria. A mesma empresa resolveu se apossar do Paulista de Jundiaí anos depois, inclusive alterando o nome da equipe para Etti Jundiaí, como era chamado um dos produtos da marca italiana. A comunhão foi um sucesso durante o tempo que estiveram juntos. A indústria foi pilar para o clube se estruturar e alçar maiores voos, quando conquistou a Copa do Brasil em 2005. Mas, em 2007, as coisas começaram a desandar desenfreadamente. Hoje o Paulista, que retornou ao nome original quando a Parmalat foi embora em 2002, está rebaixado para a última divisão do campeonato paulista com seu estádio próximo de ser leiloado.

Por conta dos erros cometidos no passado, hoje há um grande preconceito formado quando se fala em clube-empresa no Brasil. De certa forma, é um equívoco ter esse pensamento, já que em outros casos, desfrutar de grupos de empresários por trás de um clube é digno de ser uma linha a ser seguida por aqui. Se todos estão ali pelo mesmo propósito, há harmonia entre eles. Imaginem os dirigentes negociando num local em que não há paredes, somente divisórias de vidros e mesas sem gavetas. Tudo às claras. Os incompetentes que estão domando os clubes apenas para nutrir o lucro pessoal passariam mal intermediando com os mais inteligentes empresários.

O perigo mora perto

O dinheiro que te faz sonhar é o mesmo que tem a capacidade de te deixar no limbo. É o que acontece hoje com o Náutico. Em 2012, a equipe nordestina idealizava seus próximos anos para serem os melhores da história. Não é por menos, visto que com eles viriam sua arena moderna, patrocínios e promessas. A expectativa era do clube lucrar, pelo menos, R$ 500 mil mensais. A Arena Pernambuco, dentro dos padrões FIFA com sua modernidade e luxuosa infraestrutura, seria a base para isso.

Os principais clubes do Recife foram aliciados pelo Governo para que mandassem seus jogos na futura Arena que sediaria a Copa do Mundo. Estratégia nada mais do que óbvia feita pelos políticos, até porque o local da construção era isolado do centro da cidade. Havia uma promessa de que no entorno da cancha seriam construídos escolas, hotéis e hospitais para que a população pudesse se aproximar de São Lourenço da Mata, município da região metropolitana da capital e ponto da Arena. E então, o Náutico aceitou.

Em 2013, o clube alvirrubro encerrou o ano com a sua maior receita da história, cerca de R$ 48 milhões. Em contrapartida, aumentou sua dívida para R$ 87 milhões e acabou sendo rebaixado da Série A. O que era expectativa de alçar outro patamar, virou fantasma à sombra do Timbu. As promessas não passaram de promessas. Eliminações, dívidas crescendo e média de público minúscula – reflexo da distância de 20km entre a Arena Pernambuco e o Estádio dos Aflitos, o verdadeiro lar do clube.

Próximo de ser rebaixado à terceira divisão nacional e amargando uma fila por títulos desde 2004, o Náutico projeta encerrar o vínculo com a Arena Pernambuco e retornar aos Aflitos em 2018. Mas não seríamos ignorantes a ponto de culpar um estádio pela fase do time. Tudo isso se deve ao projeto ambicioso e sem planejamento dos dirigentes à época. A obra superfaturada comandada pela construtora Odebrecht alimentou o bolso dos envolvidos em mais de R$ 264 milhões, enquanto isso, um dos clubes mais tradicionais do nordeste amarga sua pior crise na história e se vira fazendo malabares para recuperar a essência da alma alvirrubra que ficou perdida no saudoso Estádio Eládio de Barros Carvalho.

O Náutico só é mais um na lista dos clubes que sofrem pela ganancia das pessoas no mundo futebolístico. O Mogi Mirim, por exemplo, teve Rivaldo como o principal personagem nas conquistas do time. Título do Interior em 2012, acessos até chegar à Série B do Brasileiro, campanha memorável alçando as semis do Paulistão em 2013. Hoje, devido ao abandono e avareza das pessoas ligadas ao Mogi, o Sapão se vê rente ao fechamento das portas após ser rebaixado na A2 do Paulista e fazer campanha vergonhosa na Série C do Brasileiro. Em tempos, Rivaldo é acusado de se apropriar de bens do clube (dois Centros de Treinamento) e alavancar as dívidas, observado quando o clube foi alvo de acusação após ficar devendo R$ 97,20 para um fornecedor de bananas.

Americana LTDA. Grêmio Barueri/Prudente. Oeste de Itápolis, que hoje em dia nem é tão de Itápolis assim. Os clubes nada mais são do que pontes que ligam o homem, sobrecarregado por interesses financeiros, ao capital.

A elitização e apoderamento dos estádios

Deixando de ser fenômeno social e partindo para a premissa de ser fonte de renda, a elitização nos últimos anos vem atingindo e devastando os estádios brasileiros. Uma partida de futebol virou ponto de consumo. Quero dizer que todas as ações que os torcedores realizam num jogo de futebol torna-se algo rentável ao clube, e isso vai além de ser somente na aquisição do ingresso.

O torcedor, entregue pela paixão que tem, marca presença nos jogos travestido pelo uniforme – que mais parece um trapo repleto de propagandas –, consumindo tudo que vê a sua volta. O maior patrimônio que um time de futebol é capaz de possuir virou sinônimo de consumidor. Vamos ainda mais longe. Os adeptos, além de consumidor, tornaram-se o próprio produto. É ele que, caracterizado como um fanático pela marca (clube), exala seu sentimento nas arquibancadas e expõe, ainda mais, a mercadoria (a partida).

Com a era das construções das arenas, a elitização ganhou força e cada vez mais selecionou o público que deve frequentá-las. Dessa forma, palmeirenses mal conseguem adentrar no entorno do Allianz Parque em dia de jogo. Há corintianos que nem sequer fazem ideia de quando vão conhecer a Arena Corinthians. O futebol deixou sua essência de sempre oferecer lazer sem distinção de classes de lado para ser pautada como uma atividade ligada à elite, ou seja, pessoas que possam consumir a partida.

Durante esse processo, toda a história do futebol brasileiro foi ignorada para dar lugar aos mais luxuosos estádios e potencializar ainda mais o afastamento do “povão” dos estádios. A Fonte Nova, com capacidade para 80 mil pessoas, em outras épocas recebendo 110 mil de público, foi demolida em modestos dez segundos para dar origem à Arena Fonte Nova. O Castelão, recebendo 118 mil torcedores para Brasil e Uruguai em 1980, foi abaixo dando lugar à Arena Castelão. O lendário Palestra Itália deu espaço ao inacessível Allianz Parque. Sem contar na dupla gaúcha formada por Olímpico e Estádios dos Eucaliptos que hoje só existem nos contos.

Infelizmente, não só os gigantes templos do futebol localizados nas grandes capitais sofrem com a maré assoladora do futebol moderno. Os clubes tradicionais do interior com dificuldade de se manterem em atividade, acumulando dívidas trabalhistas e tributárias, sofrem sem o auxílio dos altos valores arrecadados com o marketing – já que isso é apenas para clubes privilegiados -, havendo como única opção colocar em risco seus maiores patrimônios financeiros.

Guarani com o Brinco de Ouro da Princesa. Lusa e o Canindé. Comercial e o Palma do Travassos. América com o Teixeirão. Paulista e o Jayme Cintra. Estádios que carregam não somente a história de um time, mas como também comporta todo um valor simbólico para a cidade em que habitam. As gerações mais velhas moradoras dos municípios de Campinas, Ribeirão Preto e Jundiaí certamente, em algum momento de sua vida, conservaram narrativas que foram marcantes ao longo do tempo. Hoje, essas mesmas estórias vivem ameaçadas pelo mercado imobiliário que permanece à espreita para abocanhar e arrematar as canchas. Culpa das limitações impostas pela modernidade do futebol que, tristemente, a maioria dos clubes abaixo das principais divisões nacionais não conseguem acompanhar.

A Lei Pelé me dá urticárias

Após passarmos por todos os âmbitos que relacionam o futebol como renda aos interessados, percorrendo por marca dos clubes, produtos, empresas, estádios e qualquer evento relacionado a mercadologia futebolística, chegamos às principais figuras que fazem desse esporte ser o que é: os jogadores.

Sancionada em 24 de março de 1998, a Lei Pelé foi considerada um marco nas transações do futebol brasileiro. Para os jogadores, a Lei serviu como uma “carta de alforria” na qual libertava-os dos times e ficavam à disposição para serem negociados, dando origem assim ao “passe livre”. Já para os clubes, foi o aval aos grandes grupos de empresários para que se apropriassem das negociações e lucrassem milhões nesse meio, visto que o “passe” dos jogadores consistia na maior renda das agremiações.

À época, os jogadores julgavam o “passe” como uma forma de aprisionamento deles ao clube. Essa relação, de certa forma, não permitia que os empregados pudessem discutir, bilateralmente, com os clubes novas propostas de contrato e os mesmos se viam obrigados a aceitar as condições impostas pelo empregador. Assim, surge a Lei Pelé como forma de protecionismo. Por outro lado, o “passe” nunca cerceou os atletas, quando regulamentado a liberdade do atleta via contratual.

Por sua vez, o “passe” sempre existiu com a finalidade de barrar o caos desportivo. Como contrato, impedia transferências instantâneas, inclusive durante os torneios. Era tratado como única medida capaz de limitar as concorrências desleais entre os times pelos atletas, seja internamente no país ou feita pelos estrangeiros. Além de ser reconhecido pela FIFA como forma de um eventual “prêmio” pela transferência do atleta para outra agremiação, tudo em prol dos clubes que investiram na formação, fornecendo visibilidade, permitindo uma possível valorização. Todavia, tudo isso foi deixado de lado quando instituído a Lei Pelé no Brasil.

Com o passar dos anos e a convivência doutrinada pelo mundo capitalista, os clubes ficaram cada vez mais enfraquecidos após a autonomia perdida em cima dos “passes”. Como comentado acima, os empresários enxergaram uma belíssima oportunidade de fazer dinheiro através dessas negociações herdando o lucro que seria destinado às agremiações. Ano após ano, a quantidade de jogadores brasileiros atuando fora foi aumentando.Um estudo publicado no começo de 2017 pelo CIES, órgão sediado na Suíça e inserido no Centro Internacional de Estudo do Esporte, apontou o Brasil como o país que possui mais jogadores espalhados pelas ligas do mundo, para um número 82 de um total de 93 federações nacionais de futebol estudadas pelo comitê.

Mas não é somente para o estrangeiro que perdemos jogadores de forma esdrúxula, a competição desleal ocorre bem na nossa frente aqui no Brasil, alimentando cada vez mais a falência de vários clubes que foram tradicionais na história do futebol.

Aqui, não é permitido oferecer contrato profissional para menores de 16 anos. Os grandes clubes buscam os moleques nas divisões inferiores, aliciando e levando-os embora dos menores sem pagar qualquer multa ou custo. É um convite irrecusável. Todo menino que sonha virar jogador de futebol profissional vive à espera de uma proposta dessas. Mas novamente acusa o sistema falho que possuímos no meio dos desportos sem pensar no futuro dos atletas e agremiações envolvidas, desenraizando a maior fonte financeira dos pequenos times e munindo o poderio financeiro da alcateia empresarial e clubes privilegiados.

E para finalizar, ainda sobre o “passe livre”, caso não exista uma real blindagem com o futuro dos jogadores, a abstinência do “passe” não acarretará nenhum benefício aos atletas, seja ele craque ou não. Apenas a elite esportiva, que joga nas principais ligas futebolísticas, seria beneficiada durante as mais exuberantes negociações. Os jogadores de pequenas e médias competições ficariam de mão abanando, sendo que são eles quem mais precisam de acolhimento. Em 2016, 21.743 atletas que assinaram contratos profissionais no decorrer do ano, só 8.938 chegaram a janeiro de 2017 com vínculos ainda vigentes.